Hoje é dia da 31ª Corrida Cidade de Aracaju, minha corrida do coração. Desde que comecei a correr, em 2007, este será o primeiro ano em que não percorrerei os 25km entre as cidades sergipanas de São Cristovão e Aracaju.
17 de março. Longe da festa apenas fisicamente, estarei sintonizado e correndo em espírito com todos os amigos que estarão por lá, especialmente o amigo João Paulo, que irá estrear neste ano e, se tudo der certo, tornar-se-á o novo apaixonado pelas famosas 17 ladeiras do duro percurso.
Quem não tem Aracaju, "caça" com Macaé.
Vamos ao assunto principal deste post, que de mole também não tinha nada: as 12h de Macaé, realizadas no final de semana passado.
O Antes
Nosso
time (Pataro, Rubem, eu e a Tia Lalá) chegou à cidade na tarde do sábado,
apenas poucas horas antes de buscar o kit e iniciar-se a prova.
| Pataro, Tia Lalá, eu e Rubem |
Às 17
horas fomos ao restaurante onde deveríamos pegar o kit, mas encontramo-lo
fechado. Decidimos voltar mais tarde e, por sorte, na segunda tentativa,
enxergamos à frente uma movimentação de corredores próximos a um Hotel da Orla
e deduzimos que o local da entrega havia mudado.
Em
Imbetiba nova surpresa: o negócio seria duro literalmente. O circuito era todo
no cimento.
Havia
julgado durante o período de treino em Salvador que a prova seria realizada no
asfalto, e descobrir que nosso “desfile”, que atravessaria a noite / madrugada
seria sobre placas de cimento, causou-me uma grande apreensão, até porque não
recomendo este piso nem para treino de meia hora, quanto mais para 12 horas
seguidas, mas já que estava ali, e não fui diligente o bastante para me
informar antes, restava-me apenas enfrentar.
Outra
complicação no percurso eram as curvas em cima de cones e sempre do mesmo lado,
outro perigo para a banda iliotibial.
Outra
novidade da noite foi ficar sabendo, somente depois que a prova já estava se
desenrolando há algumas horas, que o circuito tinha 900m e não os 800m que
constavam do regulamento.
Estes
100 metros
representavam mais de 13% de diferença e exigiam dos atletas um reajuste nos
ritmos pretendidos, mas ao que parece, por conta do pouco alcance do sistema de
som, houve quem chegasse até o outro dia sem saber do acréscimo de 100 metros na volta.
| Troféus para os 05 primeiro do Geral Masc/Fem e para todas as faixas - aspecto superpositivo da prova de Macaé |
O Durante
Após
festejarmos os encontros e reencontros, pontualmente às 20 horas foi dada a
largada da III Ultramaratona de Macaé.
Desejando
muita diversão aos amigos de viagem, desde o início da prova coloquei em ação o
plano que levava na cabeça.
Estávamos
no dia 08 de março (Dia Internacional da Mulher) e larguei prometendo à “tia”
Lalá uma Maratona antes da meia-noite.
O
intervalo pretendido para as voltas nas primeiras 4 horas de prova era entre
3’48 e 4’35 (a descoberta dos 100 metros a mais obrigou-me a novas contas).
Este
ritmo inicial deixava-me entre os 10 primeiros, mas aos poucos fui chegando no
pessoal da frente e, já na primeira hora, figurava entre os 05 primeiros, o que
me dava direito ao pódio geral (e ao tênis Sprint que no congresso técnico pensei
ter ouvido que seria entregue aos 5 primeiros colocados rs), de onde não mais
sairia durante toda noite.
No
momento em que ia recebendo um “capote” do primeiro colocado, mantive com ele
uma breve conversa para assegurar-me que se tratava mesmo do líder da prova e,
pedindo licença, tratei de seguir ao seu lado. Foram dezenas de quilômetros
puxando e sendo puxado pelo excelente ultramaratonista Josias, que também é
baiano e, para piorar, de Castro Alves, mesma terra do meu amigo Chico (será
que é sina minha sofrer ao lado desse povo da terra do poeta?!).
Nesta
balada, com 3h e 40min cumpri a promessa: entreguei à tia Lalá sua Maratona.
| Feliz dia da Mulher |
De hora
em hora a Organização anunciava a classificação e na atualização das 06 horas
de prova, ouvi meio incrédulo que figurava em segundo lugar.
Foi
mais ou menos nesta hora que reparei no corredor de número 07, o cara vinha
voando, este negócio de competir num local tão pequeno era uma novidade pra
mim, a gente se cruza o tempo todo e mesmo disfarçando não há como não prestar
atenção no adversário.
Pedi
à nossa staff (tia Lalá) para descobrir quem era o cara. Ela me disse que ele
estava em quinto, mas somente uma volta atrás. Nem fiz cerimônia: - Do jeito
que vem, irá me passar.
| Carlos Henrique Rufino Gusmão subindo no pódio em 2º lugar - "difícil não é voar na prova, difícil é ter que subir aí no fim do jogo..rs" |
Gusmão
era o nome do cara e eu o tinha visto no Globo Repórter da sexta-feira, o
monstrinho só se alimenta (e como come rs) de frutas, e logo não só me
ultrapassou como assumiu a liderança da prova.
Às 7
horas de prova estava sofrendo bastante e por sorte seguia ao lado do amigo
Pataro com quem pude dividir meus temores.
Breves
ou não, todos já haviam feitos suas paradas e/ou inserido caminhadas e eu,
ainda com esta deficiência, nada de ter coragem de lançar mão destas
possibilidades.
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| Denison de Araujo Duarte (3º) Vitor Oliveira Teixeira (4º) |
Com
08 horas de corrida passei a 5º, na mesma volta dos 3º e 4º, e a partir daí a
grande briga seria com o 6º colocado.
Matheus
era o nome da fera. O cara já havia figurado entre os três primeiros e agora,
naquela posição (6º), era uma senhora ameaça.
| Matheus Antônio Rocha no pódio de Categoria - Como já disse difícil não é correr, difícil mesmo é subir estes degraus depois |
Dali
por diante, a prova resumiu-se para mim (e também para o terceiro e quarto
colocados) em fugir de Mateus, que, do alto dos seus 58 anos, comemorava com um
“Obrigado Jesus!” todas as suas passagens pelo pórtico e parecia que ia não
desistir nunca.
| Matheu e Jorge |
O
olho no olho quando nos cruzávamos era quase inevitável e, preocupado com toda
aquela devoção, seguia conversando com Deus: “- Olha Senhor, o cara tá rezando
em voz alta, mas eu também tô aqui fazendo minhas preces, vê se não vai
favorecê-lo” (rs - Risos agora, mas lá na hora este negócio era bem sério).
| Com Márcio Villar e seu maravilhoso livro: Desafiando Limites |
O
Jorge Cerqueira e o Márcio Villar foram as pessoas que mais me incentivaram a
continuar na pegada e fazendo um esforço tremendo e, principalmente, correndo ainda
mais forte, quando faltavam poucos minutos para fechar a hora, aos poucos fui
colocando voltas no valente Matheus.
O dia
amanheceu e numa determinada hora, sentindo que Rubem não atravessava um bom
momento, dizendo-lhe que precisava de ajuda para manter minha colocação,
arrastei-o comigo e, mais animado, tive a companhia do amigo por várias voltas.
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| parceria com Rubem |
O Depois
Fui
tomado por um enjôo horrível enquanto esperava a premiação.
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| O bicho tava pegando, rs |
Num
chuveiro à beira da praia, reencontrei-me com Matheus, com quem troquei um
forte abraço, ambos sabíamos que a disputa havia sido excelente.
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| Pódio Geral Masculino - 1º- Josias - 2º- Gusmão - 3º - Den ison 4º - Vitor 5º - eu |
| Rubem, vice-campeão da Cat. 40/44 |
Com
90km e também uma excelente prova, considerando toda carga de trabalho, que o
tem impedido de treinar adequadamente, Pataro também cavou um segundo lugar em sua Categoria
(50/54).
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| Pataro, Pódio 50/54 |
Agora era hora de voltar ao Hotel. O velho e bom travamento já tomava conta dos músculos da galera toda. À tarde precisaríamos enfrentar 200km até o Aeroporto do Galeão, onde deixaria os amigos, que retornariam a Salvador naquele dia, enquanto eu e a tia Lalá desfrutaríamos com a família alguns dias mais na Cidade Maravilhosa.
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| Dia amanhecendo na Orla de Imbetiba |
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| Não era marra não, era cansaço mesmo..rs |
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| Pódio 60/64 feminino |
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| rango durante a prova |
| Levando a "Tia" Lalá ao Pódio |
| Valeu, Rubem |
| Com Verônica, Adelino e Tia Dete |
| Tia Rita |
| Com Tia Rita e Douglas |
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| Da Guia e Jorge (cat 45/49) |
















