domingo, 8 de dezembro de 2024

CUPIRA ULTRA BACKYARD 2024



A Cupira Ultra Backyard foi a prova escolhida para fechar o ano competitivo.

Este modelo de prova tem em média 7km e geralmente ocorre fora do asfalto, cada atleta deve completar o circuito em menos de 1h. 

Exemplo: Se o atleta gasta 45', aguarda 15 minutos para a próxima largada, se gasta 55, aguarda 5' se chegar com 1h00 já está desclassificado.

Também conhecida como Resta Um, a competição só acaba quando apenas um atleta restar na pista, e ainda assim, precisa sair para a "volta do campeão" e completar em menos de 1h para que haja realmente um vencedor.


A PROVA

Desde o início a gente tinha alguma desconfiança de quão organizada seria a competição em Cupira, mas a viagem, o reunir de amigos nos treinos desta modalidade, por si só já valiam o mergulho.


Pra bater o martelo, 07 de dezembro era ainda o dia de aniversário de nosso amigo |Manoel que, estando pegando leve nos treinos no período recente, prometeu "apenas" (e cumpriu) fechar 06 voltas, o que representou uma maratona.



                                                

Na vibe dos backardigans, animação famosa no Discovery Kids, conseguimos ainda muitas risadas ao fazer em Maceió um vídeo com os 05 atletas reunidos para a missão: Pataro, Josenilton, Manoel, eu e Marcondes.



Integrante de última hora D. Sandra Lyra se inseriu na equipe e lá emplacou a excelente marca de 8 voltas. 

Marcondes por sua vez estabeleceu recorde pessoal de km, emplacando 16 voltas (x7  112km) e, apesar de não haver sido desclassificado, resolveu não largar para a 17ª volta.



Naquele momento, restavam apenas 04 atletas, como não havia ido para a prova, decidido a teimar até o fim, e sendo o único da turma a estar competindo ainda, pedi-lhe que arrumassem as coisas, pois buscaria dar mais duas voltas e a gente poderia seguir para o hotel para pegar estrada logo depois do café da manhã.


Duas voltas depois, com 18 voltas completadas, todas entre 50 e 55 minutos, deixávamos o belo e técnico circuito de Cupira.

Valeu muito a experiência com o grupo!












sexta-feira, 27 de setembro de 2024

MARATONA DE SALVADOR 2024 - RITMO QUE CONTAGIA


Em pleno ano de eleição e trabalhando há cerca de 700km de Salvador, particularmente falando, "correria" é a palavra que melhor define minha participação na Maratona de Salvador 2024.

Buscando treinar de forma moderada, ainda no entendimento de como se comportaria meu joelho pós lesão no menisco no quesito intensidade, a despeito do sobe e desce típico de eleição, encaixei bons treinos nos arredores da belíssima cidade de Barra do Rio Grande.



Sempre agradecido a Deus pela boa evolução, a viagem na véspera da prova para Salvador, dividida em 550 km de moto até Valente, mais de carro era apenas um ingrediente a mais, para encarar a prova como um bom teste de luxo.

Além de rever os amigos do Salvador Pró-Maratona, que como sempre prestigiou a prova pela qual tanto lutamos, ainda pude receber em casa, os amigos Marcondes Lyra e Val CD.



A PROVA

De maneira controlada, tendo o privilégio de ter como coelho por mais de 15km, o menino Filipe Souza que estava treinando leve  e a quem pedi para estabelecer um pace de 4'30/km e ir abrindo o caminho.

Na metade da prova, ja com ritmo ajustado pra cima por conta da temperatura que havia subido muito (Mais uma vez Salvador não amanhecera nenhuma Berlim rs)  me encontrei com Val CD.



Corremos um par de quilômetros juntos e voltamos a nos separar.

No final da prova, veio o momento mais engraçado...

Apesar de termos corrido de forma separada, 3h e 20 minutos depois, chegamos embolados, Marcondes, eu e Val. Se houvéssemos combinado não teria dado tão certo.



Pedi a um deles que me representassem no pódio de categoria e parti para estrada, afinal de contas, como diria aquele velho samba composto pelo amigo Adhemar "as Eleições estão chegando... hum. hum..hum hum" rs.

Outros registros de treino em Barra
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terça-feira, 23 de julho de 2024

A VITÓRIA NO 100K DA UAI E OS 235K SURVIVOR DE PATARO

 

Pataro pronto pra largada as 08h e eu vestido igual para tirar a foto rs, largaria no outro dia as 18h

“Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, mas o Senhor é que nos permite a vitória”.

Estar em Passa Quatro para a UAI 2024, apenas 06 meses após a confirmação de um diagnóstico de lesão  meniscal (afora todo um combo de enfermidades afins rs), por si só, já explicava a tranquila e indisfarçável felicidade estampada em meu rosto ao adentrar nos domínios da adorável cidade mineira.



 A parceria de viagem com o irmão Pataro, prestes a nos representar na distância full da prova (235km), os reencontros com lugares e pessoas, a névoa fina, característica, de meados de julho,  o apito do trem, aos poucos estávamos totalmente imersos na UAI.

 

SEXTA-FEIRA –

 


Transbordando de emoção, após a execução do Hino Nacional, às 08h da manhã, os atletas do 235k (e a turma da double) deixavam Passa Quatro.


Sentindo um friozinho na barriga, como que se estivesse iniciando a minha própria prova, acompanhei  Pataro pelos 2,5km iniciais, desejando-lhe uma excelente jornada, antes de fazer meia volta.


De retorno a Passa Quatro, a vontade de seguir acompanhando um pouco da viagem do amigo foi maior que a ideia de descansar para os 100k (que, diga-se de passagem, só largaria no outro dia, as 18h), então resolvi pegar o carro para ir ver a passagem da turma no trecho entre as cidades de Itamonte e Alagoa.



Na saída do hotel, lancei convite a Solon, atleta carioca que havia ido dar um apoio a dois amigos que também estavam nos 235 survivor lá fomos nós acompanhar um pouco mais  da epopéia de nossos amigos.



Esse passeio fez a manhã passar rapidamente e pouco depois de meio-dia estávamos de volta a Passa Quatro, onde almoçamos na companhia da amiga Rosália Guarischi que, vinda de uma prova de 100milhas no exterior,  no outro dia (nenhuma surpresa rs), iria brincar de vencer os 55k da UAI.


O resto da tarde, noite, madrugada ocupei o tempo com o monitoramento da prova do amigo Pataro que àquela altura da competição já havia montado uma "equipe" para juntos seguirem até a conquista dos 235k.

SÁBADO –

Com o avançar das horas foi chegando aquela sensação do "Agora somos nós".

Por volta das 16h, em 02 ônibus da organização, deixamos Passa Quatro em direção a Largada.



Depois de uma viagem em que acabei dividindo parte dela, sentado com mais dois atletas que pareciam ser pai e filho e gentilmente me arrumaram um espaço e outra parte, viajando no lastro do ônibus, chegamos a Espraiado do Gamarra.


03 anos atrás, na primeira UAI Reverse, ali havia sido nosso ponto de chegada dos 100k e tendo chegado por volta das 08h da noite, não havia me dado conta de quão belo era o entorno.



As 18h, pontualmente, foi dada a largada dos 100k ( agora no sentido contrário do que havia feito na Reverse, um espécie de back to back), éramos um mundo de lanternas e não resistindo a imagem, deixei-me largar por ultimo para ir filmando a fileira de "vagalumes" que partiam naquele instante com destino a Passa Quatro.

Na rápida passagem pelo posto de Caxambu, fui informado que estava liderando os 100km survivor, pois todos os 03 atletas que já haviam passado estavam na modalidade com apoio de carro.

Sempre buscando manter um diálogo no momento das ultrapassagens (aproveitava também para apagar minha lanterna para poupar tempo de bom funcionamento), paulatinamente, fui alcançando e deixando para trás cada um dos competidores dos 100k e logo era o líder geral dos 100k (survivor e com apoio).


Na altura do km 30, vivi um do mais inesquecíveis momentos em minha vida de corredor. Estávamos por volta das 21h e em meio a escuridão adiante apareceram as luzes de um grupo de 05 corredores  (entre eles Rodrigo Villaça - tocaaa e o Uruguaio Juan)que seguiam juntos, rapidamente divisei entre eles, o irmão Pataro.

Antes mesmo de alcança-los, já estava muito orgulhoso de ver que ele era o cara que estava puxando a turma com um trote. É importante lembrar que naquele momento eles já estavam com 165km nas pernas e, na segunda noite seguida de corrida, e só pra dar logo um spoiller, cumpriria sua missão com 52horas de prova e sem dormir, confirmando o que eu lhe havia dito o tempo todo, desde quando migrei para os 100k por conta do rompimento do menisco - "Você está pronto para nos representar"

                                          Neste breve vídeo da UAI tem a passagem pelo grupo de Pataro no 235

Que felicidade, parei, festejei, filmei, precisava registrar aquele momento tão ímpar, aquele encontro sob um céu coalhado de estrelas pelas estradas rurais de Minas Gerais.

A turma havia se dado conta que eu era o primeiro dos 100km a aparecer, e me mandou ir embora aproveitando a alegria nas pernas, ao que retruquei, dizendo que estariam assim durante todo o caminho, rs.  Com o coração renergizado voltei-me à competição.


Paisagens que não vi, rs. ùnica reclamação da prova dos 100k largar as 18h


Na passagem em São Lourenço (km55), catei as coisas no drop-bag e como cheguei num momento que ainda iam repor a sopa, acabei saindo sem provar da iguaria.

Coisa que fui fazer na passagem do Bar de Ze Maria quando restavam pouco mais de 20km para chegar em nosso destino.

Pouco tempo depois, chegaria de carro a esposa do atleta, apoio do líder do 100k naquela modalidade. Àquela altura buscava a vitória sem nenhum porém, e mesmo sabendo que se tratava de outra modalidade dos 100k, parti imediatamente do derradeiro ponto de hidratação/alimentação caminhando enquanto saboreava a sopa quentinha, naquela madrugada dita por todos muiiiiito fria (eu só me lembro de estar intenso e suando sempre  rs). 

No meio do caminho, mesmo quando as pernas não estiveram no máximo da alegria rs, negociei comigo mesmo que só me permitiria uma caminhada quando estivesse subindo a serrinha.

Então, em meio a escuridão, senti que estava numa muito íngreme subida e pensei.. é chegamos nela meu Deus. Caminhando vigorosamente, venci o trecho dito como mais complicado do circuito dos 100km e assim que iniciou o desce e sobe, passe a fazer um fartlek correndo um km no mais forte possível, e o outro de forma mais tranquila, quando aproveitava para ir administrando o que restava de hidratação e alimentação. 

Na descida em espiral, finalmente era só desce mesmo, numa das curvas, surgiu la embaixo a visão maravilhosa da bela Passa Quatro.

Muitas curvas em descida, ainda seriam necessárias até pisar no chão de paralelepípedo, e ao entrar na cidade, aconteceu algo bem engraçado, o que mostra como somos competitivos.

Enlameado e muito feliz na chegada

Lá adiante iam dois corredores juntos, salvo engano eram dos 170km. Sem saber o quanto faltava ainda dentro da cidade, apertei o passo um pouquinho para ter um momento de confraternização com eles (durante toda a viagem sempre aproveitei o tempo de ultrapassagem para parabenizar aos atletas de toda e qualquer distância).

Com o incansável e sempre simpático Fernando Nogueira

Pois bem, os rapazes viram que eu ia chegando, e mesmo já extremamente cansados, começaram a correr feito loucos e eu achando até que os alcançaria, afinal eu vinha de uma prova menor, para dizer de perto que não era uma ameaça, me vi obrigado a gritar de longe: Ei, eu sou dos 100k.




Imediatamente eles detiveram a carreira desabalada rs. e ao emparelharmos ainda justificaram: "A gente não queria perder posição aqui já dentro da cidade". É a gente que corre, entende rs.




Com 11h35'01'11",  como Campeão Geral dos 100km, único da modalidade a chegar antes do dia clarear, explodindo de felicidade, cruzava o pórtico da Ultra dos Anjos Internacional 2024.



Só agradecer a Deus, sempre!


segunda-feira, 10 de junho de 2024

82K NO CAMINHO DA PAZ - 08/062024

Com Pataro, no meio do dia, em algum ponto entre Mutuípe e Jiquiriçá

Na esteira da preparação para a UAI, o fim de semana destinado ao Caminho da Paz, além de treino específico (com testes de roupa, lanterna, tênis etc), para a prova que irá acontecer daqui a um mês, também era o marco final para tomar a decisão em relação à distância escolhida: Se ficaria nos 235km junto com Pataro ou se iria migrar para os 100k.

Inscrito na prova desde o ano passado, o rompimento do menisco no dia 31 de dezembro, bem como, a confirmação em laudo em fevereiro, havia me "tirado" pelo menos uns dois meses da preparação, quando precisei investir em treinos mais leves para "apagar o fogo" do joelho, o que nos fez desistir, inclusive, do sonho de buscar índice para o mundial nas 24h de Natal, o que culminou, por exemplo, na redução de 12h para 6h (apenas para acompanhar o amigo-irmão Pataro) na prova de Indaiatuba.

Indaiatuba: Pataro nas 12h, eu nas 06h


Pois bem, tratava-se de uma hora H que me havia imposto e as muitas horas de treino semanal em condições extremas, traziam-me uma razoável confiança que faríamos um bom teste nos 80k de  serras do Caminho da Paz entre as cidades de Mutuípe, Jiquiriçá e Ubaíra, mas o resultado só poderia saber depois.

Não sem algum malabarismo logístico, as 07 da manhã da sexta-feira, o carro ficou completo quando pegamos Pataro na saída do seu plantão no Polo Petroquímico.



No time montado para a viagem até o Vale do Jiquiriçá seguiam, também,  Naldinho, Sérgio e Ramon. 

É sempre importante ressaltar que a presença de amigos sempre enriquece e suaviza as missões, mas eles não estavam lá só a passeio rs.

Largada do primeiro dia


O PLANO

DIA 1 -

Trecho 1 - 31km criados usando parte do Caminho da Paz, com largada e chegada em Mutuípe que seria comum a  todos e ponto final do dia (como corredor rs) para Naldo, que passaria a ser nosso apoio nos pontos seguintes;

Trecho 2 - 26km de Mutuípe a Cachoeira do Jiquiriçá pelo Caminho da Paz; Ponto de chegada para Sérgio e Ramon e de passagem para eu e Pataro. Alí Naldo nos entregaria nosso "drop box" para seguirmos adiante, enquanto os meninos seriam levados de volta a Mutuípe;

Trecho 3 - 27km da  Cachoeira do Jiquiriçá a Ubaíra - O incansável Naldinho nos buscaria ao final do treino em Ubaíra e nos levaria de volta a Mutuípe;


DIA - 2 - Cachoeira do Jiquiriçá a Ubaíra - 27km

Pataro e eu, deixaríamos o time na Cachoeira do Jiquiriçá e em seguida partiríamos para Ubaíra, ponto de chegada da turma, onde iriamos correr cerca de 1h regenerativa, 30 minutos no sentido deles (na torcida para encontrá-los) e mais 30 retornando para o ponto onde largaríamos o carro. 


A EXECUÇÃO 

Pra simplificar, direi que as coisas se encaixaram maravilhosamente  bem e que vivemos mais um daqueles fins de semana inesquecíveis.



No primeiro dia todos cumpriram sua missão. No segundo, apenas Sérgio que fizera 57km no dia anterior, preferiu não correr. Ramon entregou o treino full nos dois dias. Naldo deu show, porque  além de fazer os 31k de manhã e passar todo o  resto do sábado nos dando suporte,  no dia seguinte, não contente com os 26 até Ubaíra, seguiu pela estrada para fazer novo 31k.



Em Ubaíra, no sábado, Pataro e eu, havíamos fechado (em pontos diferentes) 80 e 82k, respectivamente. No Domingo lá estávamos de novo com a felicidade de encontrar os amigos em meio ao Caminho da Paz e voltar com eles até que finalizássemos a festa.



Após um café da manhã, servido fora do horário normal, como um carinho da equipe do Hotel do Vale, baterias recarregadas, retornamos a Salvador.

Abaixo deixarei um vídeo que mostra um pouco do que foi o final de semana. Antes, porém, preciso tocar no assunto "Dia D".

O teste não poderia ter sido melhor. Foram cerca de 14 horas de treino (11:17 líquidas) no sobe e desce da Serra num dia particularmente quente e tudo fluiu perfeitamente: alimentação, lanternas, roupas, tênis, mochila, meia e, atenção das atenções, o joelho se comportara de forma excelente.

Entretanto, naquele processo contínuo de conversa com Deus, a sensação que me vinha é que não era hora de abusar. Precisava estar muitíssimo grato por ter recebido o diagnóstico que recebi no começo do ano (menisco medial rompido e um combo de patologias adjacentes rs) e estar fazendo o que gostava.



Foi assim que a um mês da prova, tendo cumprido todos os treinos como se fosse fazer os 235k, voltei para Salvador convicto de que o melhor a fazer em relação a UAI 2024 era alterar minha prova para os 100k.

o irmão Pataro ficou um pouco abalado com a decisão, mas fiz questão de reforçar o que sinceramente achava: ele estava pronto para nos representar na distância full da competição.



Vamos que vamos!


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