Em 17 de março de 1855 o antigo povoado de Santo Antônio de Aracaju, num único lance, foi elevado à
categoria de cidade e capital da antiga Província Sergipe Del Rey, roubando
este posto da pequena São Cristóvão (4ª
cidade mais antiga do país).
Algum tempo depois (1984) foi criada uma corrida entre as duas
cidades que passou a fazer parte das celebrações do aniversário da Capital.
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| Foto de arquivo |
Desde a largada em São Cristóvão até a chegada em Aracaju, o que
torna esta prova tão especialmente singular é a alegria do povo sergipano. Sem
distinção, à passagem dos participantes ouvem-se palavras de incentivo,
brincadeiras, aplausos, foguetes estourados e as mãos estendidas dos pequeninos
à espera de um toque dos corredores, coisas que fazem com que a viagem seja
“rápida” e muito prazerosa.
Por estas e outras, neste domingo, pelo sétimo ano consecutivo,
mais uma vez estava na linha de largada pronto para encarar os 25km que separam
essas duas cidades.
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| Têtê, Lalá, Lara e eu |
Quem também veio conhecer um pouco desta festa, aproveitando que
desta vez a viagem de Salvador para Aracaju era de carro (e não a pé), foi
D. Terezinha e Lara, respectivamente mãe e afilhada da tia Lalá.
Às 16:00 horas, comboiado pelo amigo Chico, que, não inscrito,
prometia ter paciência de me acompanhar, iniciamos nosso “desfile” pelos
paralelepípedos da histórica São Cristóvão antes de rumar definitivamente para
a nova Capital.
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| Vítor de Chico, eu e Chico |
Nunca antes na história de minhas participações nesta prova o
tempo esteve tão favorável para se correr. Em algum momento cheguei a ouvir de
um corredor que parecia até que estávamos no sul do País.
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| Acompanhados de Chico e sua esposa Márcia |
Contaminado pela presença do amigo Chico deixei mais cedo do que de
costume o ritmo confortável, engatando um bem próximo do que pretendo
desenvolver em minha próxima maratona.
As famosas ladeiras, a beleza daquela estrada, a energia daquele
povo, nem bem a gente vai no meio da viagem e o coração já tá apertado de
saudade. Inevitavelmente surge o pensamento: “ano que vem quero estar aqui de
novo” e a convicção que brota deste desejo renova as forças e se traduz em
passadas mais fortes e felizes.
À medida que encurtávamos a distância o ritmo ia aumentando (exatamente
da forma que adoro correr). Nos últimos 10km precisei de muita concentração
para não deixar fugir de vez o já “impaciente” avião em que se converteu o
amigo Chico.
Sem dar a menor chance o cara levava de roldão quem quer que
aparecesse em seu campo de visão e eu, apesar de saber que se o homem estivesse
inscrito eu não teria tido este privilégio de correr a prova inteira “ao seu
lado” fiquei muito orgulhoso de também ultrapassar (alguns segundos depois)
todos os corredores que ele foi deixando pra trás.
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| Comemorando na chegada da prova: Chico, Carlinhos e eu |
O resultado não podia ser outro: fechei a prova com novo RP, 01h43’52.
Nada mal para quem estava usando a Corrida Cidade de Aracaju como treino de
luxo.
Agradecimento a Deus, beijo de namorada, medalha no peito,
hidratação e nova corrida, desta vez em sentido contrário. Destino: encontrar Amâncio
(o mais simpático corredor de Pedra Mole/SE) e fazer com ele seus últimos
quilômetros.
No caminho de volta, fui me divertindo muito. Várias pessoas brincando
perguntavam se eu tinha errado o caminho, se ganhara a prova etc. Respondia a
todos que já havia chegado bem classificado e que agora estava indo buscar meu
avô.
Quando finalmente encontrei Amâncio ele veio lamentando umas
cãibras, que a prova era dura, que estava morto, etc, mas tome-lhe conversa,
piadas, sorrisos, causos.
Amâncio, você é o morto mais divertido que eu já vi numa prova,
disse-lhe num certo momento.
Um rapaz que vinha pedalando próximo a ele dizia-se impressionado com sua tranquilidade e que até duvidava que ele realmente estivesse sentindo aquelas coisas todas, "parecia mais que estava fazendo charme".
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O rapaz da bike da Zona Alvo, Daniele ( companheira na "viagem", Amâncio com uma flâmula de Pedra Mole e eu
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De fato, naquele “ônibus” das 3h20 nenhum passageiro era mais
jovial que o velho Amâncio. Dois grupos de pessoas postados à beira da estrada
(a quem eu informara que estava indo buscá-lo) saudaram nossa passagem com um
divertido coro “vovô, vovô, vovô” e o “menino” Amâncio com gritos, sorrisos e
braços abertos, completamente em sintonia com a alegria dos seus conterrâneos,
devolvia-lhes o carinho.
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| Passagem com o pórtico marcando o tempo (bruto) de 3h e 20' |
Sabe aquela estória da cereja do bolo? Foi isso aí o que representou pra mim estes últimos novos quilômetros da 30ª Corrida Cidade de Aracaju.