segunda-feira, 20 de março de 2023

RP E PÓDIO NA 38ª CORRIDA CIDADE DE ARACAJU -


com Val, Joanildo e Manoel na soltura véspera de prova 

Em 17 de março de 1855, o antigo povoado de Santo Antônio de Aracaju, num único lance, foi elevado à categoria de cidade e capital da antiga Província Sergipe Del Rey, roubando este posto da pequena São Cristóvão (4ª cidade mais antiga do país).

Algum tempo depois (1984) foi criada uma corrida entre as duas cidades que passou a fazer parte das celebrações do aniversário da Capital.

Com a turma, na histórica São Cristovão - SE


Em 2007, dois meses após minha estreia no mundo das passadas na Corrida Sagrada, conheci e apaixonei-me imediatamente pela Corrida Cidade de Aracaju.

Mas o que torna esta prova tão especialmente singular ?  

-  Sem dúvida, a alegria do povo sergipano, que desde a largada em São Cristóvão até a chegada em Aracaju, não deixa ninguém passar "incólume", rs. 

foto de arquivo

Quem já esteve por lá, sempre terá uma estória para contar sobre um apelido bem-humorado que ganhou enquanto corria,  das palavras de incentivo, dos foguetes estourados e das filas de mãos estendidas dos pequeninos à espera de um toque dos corredores. Uma energia contagiante que torna ainda mais prazerosa a viagem de 24km, pela Rodovia João Bebe Água  e suas famosas 17 ladeiras , entre as antiga e atual capitais sergipanas.

Por estas e outras, volta e meio repito o bordão: 

Se alguém me perguntasse onde eu queria estar no dia 17 de março de todos os anos da minha vida, responderia sem pestanejar: "Na maravilhosa festa entre São Cristóvão e Aracaju, conhecida como Corrida Cidade de Aracaju.

Pódio geral feminino dos 24k - Dayana Santos (4a), Anastáicia Rocha (2a), Aline Prudêncio(Campeã), Miriam Santos(3a.)  e Adriana Teodósio (5a). - 

Uma outra marca desta corrida é o seu alto nível de competitividade. A atraente premiação faz a Cidade de Aracaju parecer um enorme zoológico de tanta fera reunidas. Uma boa mostra disso foi o pódio geral feminino  em que  Marily dos Santos(6a),  ídola,  multi campeã e nossa representante nas duas últimas olimpíadas, acabou ficando de fora.

E foi assim que apesar de "correr Aracaju" há 17 anos, e ter no currículo vitórias e pódios gerais,  nunca passara nem perto de um "mero" (e bote entre aspas nisso) pódio por categoria.

Com Luciana Ramos, prontospara partir

No último sábado, graças a Deus,  mais uma vez estava na linha de largada da "São Cri, Cri", e, pela primeira vez com uma chance real de conseguir um lugar no pódio.

Sabia que a primeira coisa a fazer era superar ou igualar o tempo de 1h47, obtido no ano anterior, que projetado no resultado de então nos daria um segundo lugar na 55/59, categoria que entrei agora em 2023.

Já na volta para Bahia, com Joanildo, Manoel e Val, no Restaurante de Alfeu - km156 da Linha Verde

Obviamente, sabia, também,  que isso não era garantia de nada (é muita gente vinda de todo canto e a gente nunca sabe exatamente quem tá na categoria, quem já saiu e chegou na frente, etc), entretanto, fazer o "dever de casa", me deixaria tranquilo comigo mesmo e o resto seria apenas esperar a cerimônia de premiação e ver no que deu.

Às 16h15, pontualmente, foi dada a largada.

Sob uma temperatura surpreendentemente agradaáel, parti no ritmo que acreditava poder sustentar do começo ao fim da prova.

Por volta do km3, alcancei o amigo Renato Maia. Mostrando-lhe o braço, onde havia deixado uma cola com o tempo de algumas passagens do ano anterior (dando-lhe a ideia do foco que estava) segui em frente, não sem antes tempo de responder-lhe que buscava fazer a prova em 1h46.

Maia voando para fechar a prova com excelentes 1h47'23 - A fera está de volta1

Com 21'37 cumpri os primeiros 5km. Uma conferida na pesca e pude ver que ganhara quase 1'.

No km 8, este ganho em relação ao ano anterior já era de 02 minutos. Era sem dúvida um promissor começo de prova.

Foi bem por essa altura que encostou em mim um corredor com aquelas têmporas brancas. Pensei: Esse deve ser da minha categoria.


Daqui a pouco alcançamos outro "candidato" a 55/59, que acelerou o passo resistindo a nossa ultrapassagem.

Como disse lá em cima, a gente nunca tem certeza rs, no entanto aconteceu algo providencial. Uma equipe de rapazes ao ser engolidos pelo ritmo que íamos, divertidamente observaram que éramos por assim dizer "velhinhos velozes" rs, e entre gracejos e demonstrações de carinho e admiração, lançaram a pergunta: "Quantos anos vocês tem"?

Fui logo respondendo: "Tenho 55 e infelizmente estes dois aqui devem ter a mesma idade".

O atleta que resistiu a ultrapassagem não disse nada, mas apertou ainda mais o passo (suspeito rs) e o que havia me alcançado antes, disse ter 57 anos.  

Pronto era o que temia...

Sem saber quantos outros poderiam ter lá na frente. Ali ao lado, apesar de estar num ritmo muito melhor do que necessitava para igualar o tempo do ano passado, já havia "inimigos".


Aos poucos consolidamos a ultrapassagem, e mesmo sabendo que ao lado estava um adversário que seria osso duro de roer, dividi com o corredor de Garanhuns que me disse estar correndo há apenas 7 anos e nunca havia corrido ali, as informações sobre os kms mais decisivos à frente.


Juntos passamos pelos kms 9, 10 e 11, os mais íngremes da prova, com ritmo circundando o 4'30/km.


Entre o km 12 e 13, comecei a apertar mais o ritmo, era hora de tentar me desvencilhar.

Completei 1h de prova no exato instante que passava a marca dos 14km. Aquilo já representava um ganho de 4'  (quatro minutos) em relação ao ano anterior. 

Com o histórico de fazer um fim de prova forte (é importante ressaltar que nunca fiz uma prova ruim em Aracaju, os outros é que sempre fizeram ainda melhor rs), confiante, pé em baixo, segui em frente. 

Após a última ladeira no km 19/20,, naquela infinidade de cruzamento até chegar na orla, só pensava em apertar, apertar e a esperança de beliscar um lugarzinho no pódio só aumentava.



Guiado pelo som e luzes, avançava com a paz de quem sentia que havia feito o dever de casa... 

Ao cruzar o pórtico com o tempo de 1h41'42, estabelecia uma nova marca pessoal (a anterior, 1h43'52 era de 2013) na Corrida Cidade de Aracaju. 




A expectativa duraria até a hora da Premiação, quando fui chamado para ocupar a primeira colocação na categoria 55/59.

59ª  entre os 932 atletas masculinos concluintes e o pódio tão sonhado com direito a título da categoria

Festa, festa, festa, com os amigos e parceiros desta viagem para Aracaju, que haviam cumprido suas missões, destaque especial para Val, que, baixando 4' da sua prova do ano passado,  em seu segundo ano de Corrida Cidade de Aracaju, conseguiu seu segundo pódio consecutivo (quanta diferença da minha estória rs) desta vez, como vice-campeã da faixa. Se tudo der certo, corredora disciplinada que ela é, em 2024, vai poder pedir música no Fantástico rs.

Val no pódio da 50/54  com Márcia Goretti e a grande campeã Geovanna Pereira

A Deus, ao Mestre Marcelo Augusti, aos amigos que se juntam para os treinos do dia a dia, a toda boa energia do povo sergipano, e a todos que contribuem direta e indiretamente para tornar possível a realização desse sonho de hoje, só agradecer.



Muitíssimo Obrigado!

Embalando os "nenéns", Felizes,  também,  pela baixa das marcas pessoais em significativos minutos
"



no regenerativo do dia seguinte




Marielly






Turma em Salvador prontos para Go Green - Destaque especial para Su campeã geral feminina 5k


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Su,campeã dos 5k Go Green


D. Geni e as Peleteiros Roberta e Rebeca

domingo, 5 de março de 2023

BEACH CROSS 2023

 

Após 03 anos de suspensão por conta da Pandemia, a Federação Baiana de Atletismo voltou a realizar a Beach Cross.

Aqui neste cantinho, é muy famoso o carinho que nutrimos por esta que é a competição mais “fofa” do calendário de corridas de ruas de Salvador.

Apesar dessa relação com prova, por conta de choque de datas com a Corrida da Folia, nossa última participação havia sido apenas em 2018, quando, então, obtivemos o segundo lugar geral.

Neste domingo, porém, correr a Beach significava algo ainda maior nessa relação sentimental com as areias que ficam entre as praias do Jardim de Alah e a Boca do Rio.

Senta que lá vem estória…

Em 2013, surpreendentemente para muitos, vencemos a Beach Cross

Tratava-se de uma vitória, por assim dizer, aos “45 minutos do segundo tempo”.


Havíamos conhecido a prova em 2011, quando a encaixamos num "longão" de 35k, e ainda hoje é nítida a lembrança da dureza daqueles 5,5 em meio ao bate-volta (Stella/Jardim de Alah/Stella).

Paixão imediata pelo piso, a partir daquele dia, passei a dedicar, sobretudo nos períodos de base (dezembro/fevereiro e julho/agosto), variados “treinos de areia”.

Portanto, apesar de olhos atônitos, inclusive os meus (rs), vencer a edição daquele ano, além de tudo dar certo, como sempre soe acontecer nos dias especiais, era também um colher de fruto da dedicação e amor ao dia a dia de treinos (quer seja nas areias fofas, quer seja nas Dunas), e, obviamente, a tudo mais que o processo de construção de uma vitória, requer de cada um de nós atletas.

A sensação daquele momento é impagável, mas o que mais vem a minha cabeça quando penso na Beach de 2013, é a alegria genuína do amigo Adautro que, como que incrédulo, repetidas vezes proferia a frase “Roberto ganhou a Beach”. Jamais o vira tão feliz e vibrante, nem mesmo em suas próprias vitórias.

Tudo somado, na hora que estava em cima do pódio, numa conversa com Deus, fiz a promessa de buscar ser competitivo, pelo menos naquele piso, nos próximos 10 anos.

E lá se foi uma década…

* * *

Voltando a 2023…

Josenilton, Wellington, Ramon, Marli, Val, Su, Hostil, Naldo, eu, Jailton, Jacson, Manu e Alan

De carona com o amigo Manoel, enquanto nos dirigíamos para o Jardim de Alah, todas essas sensações seguiam comigo…

Ao chegarmos, já deu para sentir que haveria um atraso na largada, pois os números de peito que deveriam ser entregues a partir das 6h ainda não estavam no local.

Uma passada de olhos na galera que estava aguardando foi o bastante para ver que a competição tinha um reunido um ‘Field” de responsa.

A qualidade estava garantida, mas, talvez pela tímida divulgação e, também, por já estarmos em março, o número de atletas presentes era pequeno (A Beach casa melhor com os meses de janeiro e fevereiro, onde os atletas em sua maioria estão no período de base e se aventurando mais nas areias fofas) e a maior parte da turma, com provas de asfalto num horizonte muito próximo, assim como eu, havia cumprido a semana de treino normalmente.

Foto de números sequenciais

Quando começou a distribuição, uma bela surpresa: Ganhara o nº 10 para a competição. Coincidência da boa que combinara muito com a decisão que havia tomado pela manhã de me vestir -me usando as mesmas cores que havia corrido em 2013.

Prestes a começar a viagem, sem nenhuma dependência do resultado de dali a pouco, coração e pensamento agradeciam a Deus pela oportunidade de chegar aos 55 anos, com a promessa cumprida.

Fommmmmmmm….

Lá fomos nós pelo gramado…



Tendo um forte pelotão à frente, fui o décimo atleta a sentir nos pés a maciez da nossa areia tão querida.

Pensava nos amigos que ali estavam, que treinavam há anos naquelas paragens e ainda não pudera ter a experiência de competir na Beach Cross (salvo nossas simulações de prova rs).

No final do primeiro quilômetro, da forma quase controlada (rs), já havia assumido a quinta posição.

Acho que foi bem por essa hora que me dei conta, que Davi (mais conhecido ultlmamente por: ""minha sombra"") estava pisando em minhas pegadas.


Na melhor batida que poderia sustentar, chegamos (eu e minha sombra rs) no ponto de dar meia volta, ocupando, respectivamente, a terceira e quarta colocação.

Apontados que estávamos para a linha de chegada, pudemos ver que havíamos ganho uma relativa distância para o pelotão que nos perseguia.

Adiante de nós, Deilton tentava encostar no menino Elton, que (sendo o único a fazer um traçado bem no limite entre as areias fofa e a dura) havia ganho uma frente no início da prova.



Buscando manter a pegada dentro do 5’30 por km, esperei completar o km 3, para tentar me livrar de Davi.

Há menos de 1 mês vivera aquele filme na Corrida das Dunas, e sabia que se chegássemos colado, tomaria novo bote do amigo.

Buscando ar por todos os poros (e haja caretas) por diversas vezes tentei apertar ainda mais o ritmo, mas “a sombra” não me deixava.


Tentei, viu. Dei o melhor que pude nesse caminho de volta e houve até um momento que achei que havia conseguido uma pequena distância, mas uma olhadela por cima do ombro destruiu o breve momento de ilusão.

La na frente, numa discreta virada, Deilton acabara de dar uma conferida (mais tarde ele diria, quando olhei para trás vocês dois grudados – Lá ele, rs ) e até me animei a apertar um pouco mais o ritmo.

Deilton 


Nada…

Quase findando a areia, em tom de brincadeira, ainda tive tempo de dizer a Davi: “Pô, não me passou na areia, na grama, não vale mais, que é funil.



Qual nada, retribuindo o sorriso, mal saímos da areia fofa, com relativa facilidade, lá se foi Davi conquistar com mérito a última posição no pódio geral.

Pelo que simbolizava a prova para mim, gostaria muito de ter vencido esse duelo, mas a terceira colocação estava em excelentes mãos, e isso, já era algo muito bom de comemorar também. Só agradecer a Deus e ao Mestre Marcelo Augusti.

quarto lugar geral - Campeão da 55/59

Com 28’43, na mesma casa de minuto de Deilton e Davi, respectivamente vice-campeão e terceiro geral na prova vencida por Elton, feliz e agradecido a Deus, cruzava o pórtico de mais uma Corrida Beach Cross.



Aos poucos a turma foi chegando…

Sueli Mascarenhas - campeã geral feminina

Su, com impressionantes 39’36, foi a primeira mulher a chegar.

Su, Val e Lilian

Val, logo depois, chegaria para  fazer-lhe companhia no pódio, como vice-campeã geral feminina.

Elton, Deilton e Davi

Meninas e meninos de parabéns…





Vamos que vamos!







Elton - chegando para a vitória