segunda-feira, 2 de junho de 2014

OS 13KM QUE FALTAVAM

Praia do Forte: guiado por Bruno Fraga
Programada para o último sábado, a etapa final do Projeto 4:1 (180k de bike + 42k de corrida) precisou ser adiada para o mês de setembro, após a Maratona de Salvador (o próximo objetivo competitivo de corrida) em data ainda não definida.

Os reclames recentes de descanso que vem fazendo a lateral do joelho do amigo (e parceiro de projeto) Rubem Fernandes, que está sofrendo desde a prova de Itiruçu no mês passado de síndrome da banda iliotibial, foi o principal motivo desta postergação.

Com Rubem em Dias D'Ávila no "pedal-descanso" do sábado

No momento de incêndio, reza o bom senso, o melhor a se fazer é tentar apagar o fogo. Ressalte-se, porém, que a decisão (e toda sensatez embutida nela) deveu-se apenas a este que vos escreve, porque se fosse depender de Rubem e sua “cabeça dura”, a gente tinha ido de qualquer jeito (rs).



Desta forma o final de semana precisou ser mudado e, para não perder a “data”, no sábado fizemos um pedal de 80km entre a BR 324 e a BA 093 e no domingo, cada um no seu quadrado (ele em Salvador eu em Praia do Forte), aproveitamos para dar uma corridinha. Diferente, não? rs


Após convencer o casca-grossa que o melhor a fazer era dar um “refresco” a suas articulações tendões, restava-me a opção de traçar novo plano para o domingo e nem foi preciso muito esforço para imaginar “quem sairia do banco de reservas para entrar no jogo”, porém era necessário convencer um certo guia turístico...

Liguei para o amigo Bruno Fraga:
- Bruno, você conseguiria refazer o primeiro trecho do RD?
- Como assim?
- O tal que saía para a praia e que acabei não fazendo na semana passada.
- Ôxe, na hora!

Os 13km restantes

Com Bruno Fraga em frente ao Garcia D'Ávila prontos para a largada
Às 6:30 do domingo lá estávamos nós (Bruno e eu) de volta ao Castelo Garcia D’Ávila, prontos para fazer a parte da Maratona que, por ter pego o caminho errado, não passara no último final de semana.

Que delícia estar correndo naquele lugar de novo!



O guia, à exceção de umas duas vezes em que pensei soprar o apito ou fazer sinais de fumaça pedindo socorro, conduziu brilhantemente a expedição, com quase 100% de fidelidade ao trajeto oficial da RD, até o local onde a trilha cruzaria a estrada para acessar a “famigerada” entrada por onde eu, mais 07 atletas e um batedor de moto nos perdêramos na semana passada.


Saindo do Klaus Peter

Sem tempo nem vontade de encarar novamente os 29km dali, apontamos os narizes para o Garcia D”Ávila e demos por encerrada nossa missão.
 
Valeu Bruno!
Muito agradecido a Bruno, nos separamos em Imbassaí, onde dois ilustres corredores mirins me aguardavam para uma “mini-maratona”.

1km com Pedrinho e Rafinha


Na próxima semana, se Deus nos permitir, o Salvador Pró-Maratona realizará um treino-festa na Serra da Jiboia (aprox. 200km de Salvador) nas distâncias de 13 e 26km.

Sintam-se convidados (detalhes através do email bikeselva@hotmail.com)e até lá!






























FAMÍLIA

Rafa, Luan e Ped





Corrida kids



Tia Lalá equilibrando-se







segunda-feira, 26 de maio de 2014

RUNNING D'AVENTURA 2014


Tarja preta para simbolizar a não conclusão dos 42km

FRUSTRAÇÃO! Essa talvez tenha sido a mais comum das sensações entre os participantes que resolveram encarar os 21 e os 42Km da 6ª edição do Running Daventura 2014.

Para um certo grupo de 08 corredores, no qual estive incluído, o vexame beirou o absurdo, culminando com uma absoluta falta de respeito aos atletas e seus familiares.

A prova, que mais uma vez foi realizada na paradisíaca Praia do Forte, este ano contou com 04 distâncias (5, 10, 21 e, pela primeira vez, 42km).

Com a inclusão da Maratona (também inauguraram uma prova Kids) e todo potencial turístico daquele lugar, o RD ganhou sim condição de tornar-se uma prova atraente para corredores de toda parte do Brasil, a exemplo das Maratonas de Búzios (RJ) e Bombinhas (SC), arrastando ainda famílias inteiras como nas provas dos X Terra (e, verdade seja dita, os “maraturistas” apareceram).

Uso a expressão atraente como atleta, pois sabemos que a rentabilidade dos 42k, que contava com apenas 2% de inscritos de um total de 2.500 vagas disponibilizadas (que atingiram o valor de R$ 210,00 reais no último lote de inscrição para qualquer distância), não soe sensibilizar organizadores.

Voltando ao sábado...

Somando a falta de tato no “Congresso Técnico” ( cerimônia de abertura com atraso e demorada, na qual já se denotava pouca preocupação com necessidades básicas dos atletas, como comer e dormir cedo), a detalhes como as mudanças nas regras com o jogo em andamento (apesar de previstos postos de hidratação de 5 em 5km, foi inserido posteriormente no regulamento a obrigatoriedade de levar 1 litro de água), não precisava ser nenhuma mãe Dináh para saber que o negócio, principalmente nos 42km, não sairia às mil maravilhas e, em conversas com os amigos/adversários sempre fiz questão de ressaltar: “Não vamos estressar, correr naquele lugar é mágico e a gente se vira”.

O que tinha em mente, porém, para definir “não sair às mil maravilhas”, estava muito distante do descaso com que fomos tratados, e aqui falo especificamente do grupo de oito corredores (como fico tentado a usar a expressão “palhaços”) deixados à margem da corrida.

Como previsto, o litro de água exigido, que sempre sugeri fosse recomendado, não foi cobrado (quantos de nós investimos na compra de uma camelback e em treinos adaptativos desnecessariamente?).

Fruto de uma luta dos corredores, quando do anúncio por parte da organização que as provas largariam às 8:30 da manhã (estariam adivinhando?), a Maratona e a Meia tiveram suas largadas programadas para horários diferenciados, os 42km às 7:00 e os 21km, às 7:30.

Investindo em comodidade dormi em Praia do Forte e cheguei à arena de largada por volta das 6:30. Na saída da Vila deparei-me com um poste quase tombado na estrada e antevi que aquele fato certamente traria conseqüências ao horário de largada.

Com os amigos Cristiano, Pataro, Chico, Moésio e Rubem - enquanto aguardávamos notícias de quando seria dada a largada
O atraso, em parte tolerável (apesar de achar que todos os 58 maratonistas já se faziam presentes), acabou atingindo também a meia maratona e, somente às 08h25, de forma conjunta, maratonistas e meio-maratonistas foram autorizados a largar.

A partir deste momento as lambanças começaram.

Ávida por cumprir sua meta, a massa de corredores disparou morro abaixo e, não encontrando ninguém da organização para orientá-la, os que vinham na retaguarda seguindo os da frente (que iam inclusive com batedores do lado), acabaram errando o caminho.

Seguindo entre os ponteiros, a maior parte do tempo em 5º lugar, tendo sempre a visão dos primeiros colocados e do motociclista que os comboiava (e que portava um walkie talkie), nenhum de nós se deu conta do erro.

Subindo trilha, descendo trilha, saltando ou se agachando para transpor árvores, logo estávamos em dois blocos de 04.

Tendo sempre por perto o amigo Chico, com quem treinei para esta prova desde meados de março (e que graças a Deus não está mais na minha categoria), meu plano A era manter-me entre os 05 que fariam parte do pódio geral e, no caso de não suportar, partir para o B, que era ficar em 6º e garantir sem sustos o título da Categoria 45/49.

Os primeiros 10km foram atingidos com 48’.

A partir de certa altura começamos a ver placas indicando uma quilometragem maior do que a que nos encontrávamos. No bloco em que seguia todos pensamos que talvez houvessem feito uma mudança para evitar a passagem na Vila por conta do tal poste e que iríamos passar ali novamente mais tarde.

Intrigados, sempre que encontrávamos alguém nos postos de hidratação questionávamos se estávamos no caminho certo. Respostas positivas, seguíamos adiante. Houve inclusive um momento, num lugar mais aberto, em que fomos acompanhados e filmados por pessoas que estavam em um carro aparentemente ligado ao RD.

Com 1 hora e 40 minutos passamos (eu, Chico e o corredor da AD3) a marca da meia-maratona e o atleta da AD3, desejando-nos boa sorte, disse que ia apertar mais um pouco para colar no 4º lugar.

Acreditando que ainda faltava muita prova, Chico e eu optamos por manter o ritmo conservador por mais tempo e deixar para apertar um pouco mais perto do final.

Não faltava.

A desconfiança foi aumentando quando, saindo de uma trilha, deparamo-nos com uma estrada mais larga bem próxima da linha de largada. Inocente, aventei com Chico a hipótese de que talvez a Organização, em função do atraso na largada, tivesse diminuído a distância (que no regulamento constava como aproximadamente 42k) pensando em preservar os mais lentos.

À medida em que nos aproximávamos da largada / chegada essa suspeita aumentava. Era isso ou haveria outro caminho para nos dirigir para o lado da praia, pensávamos.

Estávamos completamente enganados.

Enquanto buscava com olhos esperançosos o tal caminho que nos levaria a completar os 42km, Chico já perguntando indignado ao Tiago Valois se realmente a corrida já estava acabando mesmo e dizendo que estava errado, que deveriam ter avisado para que pudéssemos correr menos cautelosos, ouvi os gritos de Peralva nos incentivando a fazer logo a chegada, acrescentando num tom indignado:
- “Tá tudo errado. Vai, chega logo que tá tudo errado”.

Ainda sem se dar conta do que havia acontecido, de mãos dadas, contando com uma segurada do amigo, em 6º lugar, cruzamos juntos (Chico e eu) a linha de chegada, com 2 horas e 31 minutos.

Apesar da conta ter ficado apenas em 29km, era um jeito de comemorarmos os meses de treinamento junto.

Com Chico ainda reclamando pela diminuição sem aviso da quilometragem (ele com certeza ainda poderia crescer na prova) e eu ainda acreditando que aquilo havia sido pensado em função dos atletas, apanhamos nosso lanche e fui atrás do amigo João Paulo para dar-lhe os parabéns pela vitória com a seguinte frase:
- Não importa se não foram os 42, parabéns pela vitória!

Diante de um olhar que misturava incredulidade com frustração entendi que definitivamente havia mesmo alguma coisa muito errada e somente quando ouvi a palavra relargada é que a ficha começou a cair.

Apesar de finalmente compreender o pedido de desculpas com que fui recebido por Carol, foi muito difícil acreditar de primeira.

Quando se deram conta de que todos haviam passado direto, os organizadores optaram por uma nova largada. Os corredores foram localizados e chamados novamente para a Arena de Largada e tiveram seus chips zerados. Houve atletas do 21k (Edson Barbosa e Edésio), que somente no 7º quilômetro, o qual, por sorte passava novamente na arena, ficaram sabendo do ocorrido e voltaram para relargar. Até aí, apesar da nova falha, tudo bem, mas as coisas que vieram depois parecem mentira:

Incrível 1. Com tanto aparato ninguém nos alcançou para avisar que a largada fora invalidada.

Incrível 2. É óbvio que foram notadas nossas ausências, afinal de contas, entre nós estavam alguns dos nomes (e não me incluo neles) apontados como prováveis vencedores da prova.

Incrível 3. Os familiares, amigos e técnicos dos corredores não resgatados que tentaram impedir a relargada sem nossa presença foram “convencidos” de que, PASMEM, havíamos nos recusado a voltar e desistido da corrida.

Incrível 4. Nós estivemos correndo (pelo menos até a marca da meia-maratona) guiados por uma moto da organização com batedor que levava consigo um rádio-transmissor.

Posso imaginar a confusão que se formou e a pressão para que a corrida se reiniciasse o mais rápido possível, algo que só aconteceria por volta de 1 hora depois, mas é inconcebível que nos tenham cerceado o direito de participação na prova, até porque, apesar de ser uma corrida de trilha (e mesmo considerando que eram cenográficos os rádios portados por várias pessoas da organização) em vários momentos saíamos em trechos rapidamente acessíveis para quem fosse de automóvel.

Os absurdos citados acima (mesmo a falsa afirmação de que nos recusamos a relargar), acreditem, consigo até entender de que forma foram se enredando, e lá mesmo no recinto tentei ao máximo levar os desafortunados e indignados colegas ao sentimento de resignação, de “deixa pra lá”, de “não vale a pena se chatear”.

Entretanto, a coisa que mais me incomodou e, por mais que pense, por mais que tente ainda não tive a capacidade de encontrar justificativa, foi o descaso com que fomos tratados, deixados feito bobos “competindo entre si” por 29km, (no meu caso, 2 horas e meia de “prova”), sem que ninguém tentasse nos localizar no percurso (ainda bem que, graças a Deus, não precisamos de socorro) e sem merecer, nem mesmo no momento de nossa chegada, uma comunicação oficial da nossa desclassificação (Incrível 5).

Voltando à corrida.

Após digerir um pouco a frustração inicial restou-me ir ao desértico portal de chegada do 42km oficial esperar e torcer pela chegada dos guerreiros que conseguiram superar o baque psicológico do atraso e da relargada.

Valeu a pena a espera. Com pouco menos de 5 horas de prova (às 14:30) Rubem, na 5ª posição, completava o pódio geral. Alguns minutos depois chegavam Cristiano e Pataro, respectivamente 6º e 7º colocados na prova e vencedores de suas respectivas categorias.
Os Organizadores no Pódio Geral Masculino com o amigo Rubem em 5º lugar

Por maiores que tenham sido os erros acontecidos nesta edição (este post não teve intenção de elencá-los), acredito ser possível uma redenção no próximo ano, adoro correr naquelas trilhas, foi através do RD que as conheci e torço para que a Organização dê a volta por cima. Eu, porém, já tenho a minha escolha.


Boa semana!