quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

I CORRIDA SOLIDÁRIA / DESAFIO PERALVA


Carregados de brinquedos, alimentos e alegria, 19 corredores percorreram no último domingo os 6km que separam o Farol da Barra do NACCI  (Núcleo de Apoio ao Combate do Câncer Infantil) no Bairro da Saúde.


O espírito natalino, o encontro com as crianças e a natural sensação de bem-estar que toma a pessoa que faz uma doação (mesmo tão pequenina) foram ingredientes perfeitos para tornar a I Corrida Solidária do Salvador Pró-Maratona uma bela confraternização entre seus integrantes. 

A festa já estava garantida, entretanto um email,  recebido na semana anterior à corrida, enviado pelo Prof. Og Robson e a posterior publicação na FBA do Pré Calendário Oficial 2013 constando a I Maratona Caixa Salvador tornava aquele encontro ainda mais especial.

Acreditamos que esta maratona pode se tornar uma das melhores do calendário nacional e nossa torcida é para que a Latin Sports tenha sucesso na Organização da prova.

Clique
Não somos tão pretensiosos (nem inocentes) a ponto de achar que a vitória alcançada foi fruto apenas das nossas reivindicações, mas como precursores da ideia ficamos sim bastante felizes e orgulhosos com a notícia.


Pouco depois das 10 e meia encerramos nossa corrida da solidariedade que teve como objetivo ajudar o NACCI, entretanto, mesmo quem não participou ainda pode ajudar das seguintes formas:

Como Voluntário
  • Nos trabalhos de manutenção da Casinha da Criança;
  • Nas campanhas e eventos (shows, feiras, festas, etc.);
  • Nas visitas às crianças internadas em hospitais.

Sua Nota é um Show de Solidariedade
  • Doando suas notas fiscais para o NACCI.

Como Doador
  • Doando Remédios, Alimentos, Roupas, Móveis, Brinquedos, etc.
As doações são destinadas para uso do NACCI, Feira da Pechincha/Bazar e para as famílias carentes dos pacientes.

  • Com ajuda financeira nas seguintes modalidades:
- Central de Captação de Recursos (Contato: 71 2109-0000)
- Depósito Conta Corrente em nome do NACCI
Banco do Brasil S.A.
Ag. 2798-7
Conta: 6576-5

Bradesco
Ag. 3021-0
Conta: 190464-7

* * *

DESAFIO PERALVA


Algumas horas antes da I Corrida Solidária, junto com Pataro, fui participar da festa de aniversário de Rafael Peralva.


Nada de salgados, docinhos ou bolo confeitado. O monstro comemora seu aniversário no melhor estilo Iron Man: 13km de natação, 140 de ciclismo e 30 de corrida, na qual nos incluímos.

Em todas as modalidades, Peralva teve gente acompanhando-o. O destaque maior ficou para Ricardo de Sá e Marcelo (Bochecha) que estiveram com ele do começo ao fim do Desafio.

Ricardo, Peralva e mais atrás Bochecha
Após resolver problemas com o barco que auxiliaria na travessia, junto com amigos que iriam “apenas” participar da natação, os tri-atletas deixaram Mar Grande e em 03 horas de braçadas chegaram ao Porto da Barra.

Juntando-se aos ciclistas que já os esperavam, em poucos minutos partiram a bordo de suas magrelas numa viagem de ida e volta a Guarajuba.


Às 15:25 estavam de volta e, após uma transição digna de prova oficial, juntamo-nos à festa (Pataro, eu e os demais amigos corredores que lá estavam) numa corrida de ida e volta até a Pituba, antes de pegar a “reta final” e seguir para o Bonfim.

Todos merecem elogios, mas é impossível não se impressionar com a força e, principalmente, a simplicidade do aniversariante. O que o torna aos olhos de todos um mestre-atleta-amigo ainda mais admirável.




“Glória a ti nessa altura sagrada...”. Ao som do hino do Senhor do Bonfim, mãos dadas todos, subimos a Colina Sagrada, onde, após 11 horas de atividades, finalmente encerrava-se o Desafio do Peralva.


A festa fora perfeita. Feliz por ter participado um pouquinho dela, necessitávamos (Pataro e eu) seguir para casa. No outro dia haveria a Corrida Solidária. 

Paz e saúde para todos!

Um pouco mais de imagens dessas duas festas:


As Sras. Graciene, Mõnica e Neusa que apesar de não correrem fizeram parte da I Corrida Solidária









Pai e Filho na Corrida









Crianças felizes com os presentes















segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

SAUDADE, MEU REMÉDIO É CANTAR!


11/12/2012
A emoção de chegar a Exu foi enorme!

Lembro que a primeira coisa que fiz quando entrei na cidade foi ligar para os amigos contando euforicamente sobre as dificuldades enfrentadas no último dia de viagem e o quanto estava feliz em tê-las superado.

Logo depois a Tia Lalá veio ao meu encontro e guiou-me até o Parque Aza Branca onde, com lágrimas escorrendo pelo rosto, fiz o registro oficial do fim da pedalada Salvador/Exu. 

Já ia me retirando do Parque quando o porteiro gritou meu nome. Detive a bicicleta e para minha enorme surpresa quem me buscava era Soiane, uma amiga de infância que há muitos anos eu não via.

Com Soiane que também topou ir a Juazeiro
A programação do centenário somente se iniciaria no outro dia, então, como forma de agradecimento a essa mulher que “é meu xodó, é meu zamô” e “que me acompanha pelos cantos adonde eu vou” em meia hora já estava pronto para irmos a Juazeiro do Norte para que a tia Lalá conhecesse o Horto do Padre Cícero.


12/12/12
Amanhecemos o dia e fomos direto para o Museu do Gonzagão, onde ficamos saboreando lentamente aquele mundo maravilhoso de objetos, fotos e textos.

Uma coisa que mexeu muito com a gente naquela cidade, apaixonadíssimos que somos pelo Velho Lua, foi o fato de ter encontrado em todos os lugares, sem exceção, sua música como “trilha sonora”.



Veio a noite e a “Cantata Gonzaguiana: Um olhar sinfônico sobre a Luiz de Gonzaga”, com a Orquestra Sinfônica de Teresina e João Cláudio Moreno (outro ídolo nosso) deu início (e que início!) aos festejos pelo Centenário de Luiz.

                                                Légua tirana

13/12/12
Exu estava ainda mais encantada. Por todo canto só se respirava Gonzagão. O povo chegou de vez e as placas de carro revelavam a enorme diversidade de sua procedência. Vinda de todos os bares, casas, carros a música do Rei brotava espalhando um delicioso clima de paz, saudade e poesia.



Pelas ruas, as pessoas que vieram para esta festa, exibiam em cada detalhe o orgulho de fazer parte deste momento histórico.

De bicicleta, por volta das 10 horas da manhã, parti para a Fazenda Araripe, onde a programação prometia (e cumpriu) autênticos pés-de-serra.


No meio do caminho, recebi uma ligação da tia Lalá, dizendo que o Hotel já ia nos despejar. Havíamos conseguido vagas apenas para os dois primeiros dias e a partir dali teríamos que arranjar hospedagem numa cidade próxima.

Cheguei à Fazenda Araripe e o forró tava mesmo de lascar o cano. Sabendo que a tia Lalá ia adorar aquilo ali, fiquei torcendo para que ela chegasse logo com as nossas malas no carro.

Clique para ver
De repente minha fantasia de ciclista começou a chamar atenção dos muitos jornalistas que estavam por lá e tive que enfrentar uma maratona de entrevistas.

Em meio a uma delas, um homem aproximou-se de mim e fez a seguinte pergunta (Senta que lá vem estória...):
- É mesmo que você veio da Bahia nesta bicicleta?
- Sim - respondi-lhe, acrescentando que não estava chegando naquele momento.
- De qual cidade?
- Vim de Salvador. Saí quarta da semana passada e cheguei terça-feira.
- Ah! De Salvador? É que eu achei você parecido com uma pessoa que conheço lá em Amargosa: Osvaldo.
- Osvaldo é meu pai! Exclamei de supetão.
- Você é filho de Osvaldo!  Você é filho de Osvaldo! gritou o  homem (Juvenal Júnior) enquanto me abraçava efusivamente.

Com Betânia e Júnior
Logo depois fui apresentado a Betânia e Cássia (respectivamente sua esposa e sua cunhada), de quem já ouvira falar na casa dos meus pais.

Expliquei-lhes que a minha namorada, que estava me acompanhando desde Cabrobó, logo chegaria ao forrobodó trazendo nossas malas para mais tarde irmos nos hospedar numa cidade próxima.
- Estamos numa casa alugada. Dá para vocês ficarem lá.

Cássia, Júnior, Betânia, Tia Lalá e o sobrinho-neto de  Lampião

Uhu! Não iríamos mais precisar deixar Exu.

Cláudio (Pedal, Sol e Poeira)

De volta ao Parque Aza Branca, num momento em que dava entrevista ao Diário de Pernambuco, encontrei finalmente o Cláudio Lima que, saindo de Recife, também viera para Exu de bicicleta. O pessoal do Jornal aproveitou para nos juntar numa só matéria.




À noite juntos com nossos anfitriões curtimos os maravilhosos shows de Daniel Gonzaga, Dominguinhos e Gilberto Gil.

14/12/12
Com poucas horas de sono e cheios de saudade nos despedimos de Exu. Bike dentro do carro, agora era hora de remar de volta os mais de 700km para chegar em Salvador pegar os molequinhos Luan e Rafa e  seguir para Amargosa.


15/12/12
O motivo dessa passagem meteórica por Salvador era o aniversário de 75 anos de minha mãe. Vocês acham que ela me perdoaria ir a Exu de bike para viver o centenário de Luiz Gonzaga e deixar de ir a Amargosa no seu aniversário?


A festa da velha Floripes é estar na Igreja e para alegrá-la fomos todos à missa das 20 horas.

16/12/12
Você achou que esta postagem ia acabar sem falar nem um pouco sobre corrida? rs

Na verdade, os 07 dias de pedal, as duas noites de forró e as muitas horas de volante (1.000 km) estavam a exigir um dia de acordar mais tarde e ficar na preguiça, entretanto, no sábado à tarde, pela primeira vez em todos esses anos, conheci um grupo de corredores em Amargosa, e sem querer perder a oportunidade de fazer amizade com a galera arrisquei-me a encarar uma corrida de 12km entre Tartaruga e Amargosa.

Muitos prometeram estar no Posto São Geraldo às 5:00 da manhã, mas quando lá cheguei apenas o maratonista Angelísio se encontrava por ali.

com Angelísio 
Por mais que eu dissesse que não era “migué” de corredor, que eu estava de férias do atletismo, que havia pedalado 750km naquela semana (alegando até os 190km de Campinas, alvo de matéria no BahiaEsporte – clique aqui para assistir), Elísio mandou ver num ritmo abaixo de 4:30 e eu, que não esperava correr neste ritmo antes dos próximos quinze dias, tive que me matar para acompanhar a fera.

Lá pela metade do caminho, não sei se por eu ter crescido no treino ou por camaradagem de Elísio, emparelhamos e, aí sim, fizemos o que é mais gostoso numa corridinha destas, engatamos uma conversa até a chegada em Amargosa quando parei o cronômetro com 55’49.

* * *
E por falar em corrida, no próximo domingo, dia 23 de dezembro, às 08:00, realizaremos a nossa Corrida Solidária (Farol da Barra / Saúde – 6km) para levar doações (alimentos e brinquedos) ao NACCI – Núcleo de Apoio ao Combate do Câncer Infantil.

Quem quiser contribuir e / ou participar da corrida pode fazer contato deixando aqui um comentário, enviando email para bikeselva@hotmail.com ou via telefone (8228-2209).

Esperamos (nós e as crianças) por você!


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Chambinho

Ala masculina da família Encarnação
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Vovós gêmeas?


Rafinha e vovô

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

INDO PARA EXU: DIA 07 - SERRITA / EXU (80KM)



“Minha vida é andar por este país pra ver se um dia descanso feliz, guardando as recordações das terras por onde passei, andando pelos sertões, e dos amigos que lá deixei”.

O caminho é pra ser curtido. Amo estar na estrada, estar em movimento e vivi plenamente estes 07 dias de viagem, mas chegar é insuperável.   Nenhuma das dificuldades enfrentadas durante a jornada resiste ao mágico filtro que se instala no momento que se atinge o objetivo. 

Estamos em Exu e Viva ao Rei do Baião!

Às 6:00 da manhã comecei a deixar a cidade de Serrita.  Tenho certeza que não foi falta de reza dos amigos, mas antes mesmo de passar pelo portal de saída da cidade notei que o pneu dianteiro estava furado.  Enquanto pensava o que iria fazer reparei que estava em frente a uma borracharia e fui para a primeira troca de câmara-de-ar do dia.

Saindo de Serrita (1ª tentativa)
Improvisando um adaptador (perdi o meu ontem), depois que armei a jante o borracheiro conseguiu encher o pneu e em meia hora estava de volta à estrada.

Ainda tinha 80km para percorrer e o detalhe era que agora, além do adaptador também não tinha mais câmara inteira. A estrada recapeada e irregular só fazia piorar a situação.

Não tinha pedalado nem 10km quando o pneu tornou a furar. Meio desnorteado comecei a andar pra frente empurrando a bicicleta. Não queria voltar, não queria desistir depois de chegar tão perto.

No meio da estrada tinha uma casa...

Bati palmas e em seguida dei o prefixo do sertão: “Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo”. Um homem assomou à porta e, após explicar-lhe que estava viajando de bicicleta, fui logo pedindo para deixa-la ali enquanto retornava a Serrita com a jante dianteira.  Além da permissão recebi (e aceitei) sua oferta de carona.

Ainda tinha cartuchos a queimar: remendos a frio.

Por incrível que pareça nunca usei “cola fria”. Sempre trago câmaras novas de socorro e geralmente aproveito o tempo livre nas cidades para mandar colar. O problema é que estas tripas que a gente coloca no aro 700 não aceitam cola quente.

De volta à Borracharia que fica no posto onde havia dormido, pedi ao seu proprietário que fizesse a colagem a frio. O homem balançou a cabeça dizendo que não tinha experiência com aquilo, mas meteu a mão na massa.

Enquanto ele trabalhava fui acordar a tia Lalá para que me levasse de volta ao local onde havia deixado a bike.  Ela, que já me imaginava longe, não entendeu nada, mas foi se aprontar.

Ao retornar à Borracharia notei que apesar da boa vontade o homem não estava se saindo bem com a experiência. A primeira colagem havia soltado e a segunda não estava com uma cara muito confiável.

Seja o que Deus quiser! Pneu novamente cheio e montado entrei no carro com a Titia para ir até a bike, mas enquanto manobrava, quase que totalmente abatido, notei que novamente o pneu havia se esvaziado.

“– Eu perguntei a Deus do céu ai, por que tamanha judiação”.

Nem percebi a hora, mas graças a Deus a tia Lalá ouviu um homem dizendo que lá no centro da cidade havia um borracheiro que tinha mais experiência com bicicleta.

Eu ainda tinha um remendo. Esperança renovada, fomos mais uma vez à luta.

Quando recebi das mãos do senhor Dedé o pneu montado, ainda que vazio por não ter lá o tal do adaptador, tive a sensação de que dessa vez ia dar certo.

Nova partida
 Após retornar ao velho borracheiro para encher o pneu, seguir para o local onde estava a bike, montar e recomeçar a viagem o relógio já passava das 09 da manhã.

A tia Lalá retornou a Serrita para arrumar as malas e tomar café-da-manhã.

20km à frente os milagres começaram a aparecer. A estrada, que dava pintas de ser daquele jeito até lá, se transformara num tapete.  Já havia percebido que mesmo no baticum do recapeamento que vinha enfrentando o ritmo estava bom e o tráfego bem tranquilo.

Às 10:30 da manhã, minha incrível e dedicada companheira passou trazendo um delicioso combustível em forma de pão com queijo coalho e coca-cola e já encontrou um cicloturista muito mais confiante. Disse-lhe que fosse tranquila para Exu e que provavelmente nos encontraríamos antes das 13 horas.


A despeito do avançado das horas, aquele ritmo estava sendo o melhor dos últimos dias, entretanto a coisa ainda ia esquentar mais.

“Quando olhei a terra ardendo” notei que atrás de mim vinha um trator puxando uma carroça. Sua velocidade oscilando entre 30 e 40 km/h era perfeita para eu pegar um bom vácuo e adiantar a viagem.


 Quando li o nome “Asa Branca” na carroça entendi que aquilo só poderia ter sido um presente de Deus, sugerido pelo velho Lua. 


Durante muitos quilômetros segui colado ao fundo da Asa Branca, mas numa ladeira acabei perdendo seu vácuo e ela “bateu asas e voou”.

Pouquíssimo tempo depois cheguei à cidade de Moreilândia e resolvi dar uma rápida parada para pegar água e tomar um suco. Só quando encostei no bar é que reparei que a Asa Branca estava estacionada próxima e que seus condutor e passageiro estavam lá dentro.

Logo que entrei os caras foram falando pro povo do bar: “Nunca vi um cara pedalar assim. Nesta bicicleta ele vinha colado atrás e às vezes emparelhava”.

Aceitando o convite para partilhar da cajuína que bebiam, completamente empolgado e às pressas para retornar logo à estrada, expliquei para o pessoal que vinha desde Salvador, os perrengues daquela manhã e, claro, mais uma vez precisei responder que não se tratava de promessa, que sou apaixonado pelo Gonzagão.

Houve um engraçado que disse:
“– Eu também sou, mas não tenho coragem nem de fazer esses 30km daqui pra lá”.

O tratorista me disse que estava indo para Exu e sugeriu que eu jogasse minha bike em cima. Agradeci o convite e disse a ele que partiria logo para tentar pegar novo vácuo caso ele me ultrapassasse.

Não deu outra. Os caras chegaram novamente. Concentrei-me decidido a ir com eles até Exu. Acredito que neste segundo tempo fizemos pelo menos 20km juntos. Era meio dia e meia quando ele acenou que iria entrar para uma roça e mostrou-me a cidade de Exu a menos de 2km.


Quando cheguei ao Triângulo Meu Araripe minha emoção também era tripla: chegava com saúde e paz ao fim de mais um projeto; a persistência me presenteara com um dos melhores dias de pedalada da minha vida; estava na cidade do Rei do Baião, do Xote, do Xaxado, da Poesia...



Graças a Deus!



Lua, Lala e Ciço

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

INDO PARA EXU: DIA 6 - CABROBÓ / SERRITA (93KM)



Apesar de não ser um dia de quilometragem alta, chegar a Serrita não foi nada fácil.

Às 5:30 da manhã, Cabrobó já ia se tornando apenas uma imagem no retrovisor da minha bike.  

De volta à 116, assim que tomei a direção de Salgueiro pressenti que o relevo da estrada ia mudar e não deu outra, nos 60km seguintes o sobe e desce foi constante. Para aumentar a complicação o trânsito de carretas estava pior que nos dias anteriores.

O cobertor para este frio foi ter sintonizado uma rádio com a programação inteiramente dedicada ao Rei do Baião. Assim, convenhamos, fica bem mais fácil.

No plano original o destino de hoje seria Salgueiro, entretanto a vontade de me aproximar mais de Exu-Pe me fez decidir por prosseguir um pouco mais.

Por telefone avisei à tia Lalá que seguiria para almoçar em Serrita, dando-lhe as coordenadas de como chegar àquela cidade e orientando-lhe que só deixasse o Hotel (em Cabrobó) depois das 11 horas.

Pouco depois de deixar Salgueiro tive um pneu furado. Sob o sol forte do sertão nordestino, o pit stop em nada é parecido com o que vemos nas corridas de Fórmula 1. Retirar as bagagens, virar a bike, desarmar jante, armar, encher... lá se foi um montão de segundos. rs

De volta à pista, já estava na estrada para Serrita (a mesma que me levará até Exu) quando novamente “deu o prego”, como se diz por aqui.
Beirando o meio-dia o novo pit stop foi ainda mais lento, mas o pior ainda estava por vir.

Após fazer todos os procedimentos, não consegui achar o adaptador necessário para encher essas drogas (rs) de câmaras de ar de pito fino. Vasculhei toda a terra em volta, olhei um milhão de vezes na pochete e nada.

Apesar da má fama e do medo que os próprios moradores da região gostam de propagar, é bom que se registre isso, várias pessoas que passavam pararam seus carros e, após ouvir a explicação do que estava acontecendo, ajudaram-me a esquadrinhar o chão.

Após muito tempo procurando, eis que chega a Super Tia Lalá. Entreguei a ela o pneu armado para que fosse encher em Serrita (8km à frente) e enquanto esperava ela voltar, continuei, sem sucesso, revirando o chão atrás do (grrrrr) adaptador de pito.


Somente às 14 horas, “estropiado, mas alegre o coração” por ter vencido mais um dia, finalmente cheguei à Capital do Vaqueiro.

Tia Lalá testemunha ocular da história - Clique para ver matéria

 Amanhã é dia de chegar a Exu. O pneu tá cheio, mas não encontrei um adaptador por aqui, então aceito rezas para afastamento de pregos no caminho.

Boa noite!

domingo, 9 de dezembro de 2012

INDO PARA EXU: DIA 5 - CHORROCHÓ / CABROBÓ (77KM)

Divisa BA/PE


Após ter passado todo o dia de ontem na estrada, o trecho a ser percorrido hoje foi propositadamente programado para funcionar como uma espécie de regenerativo. Desse jeito poderia acordar um pouco mais tarde e, mais que isso, desfrutar do café da manhã no Hotel antes de sair de Chorrochó.


Com pouco menos de 03 horas de pedalada, “sem rádio nem notícias das terras civilizadas”, já estava cruzando a ponte sobre o Rio São Francisco, marco da divisa entre Bahia e Pernambuco, que liga as duas Ibó (cidades vizinhas e homônimas).


Às 11:00 da manhã  chegava a Cabrobó.

No Hotel Limarques, primeira (e única) tentativa de hospedagem, funcionários vestidos de vaqueiro e um entalhe de Gonzagão na parede facilitaram minha tarefa de escolha.

com Ermilton
Estar em terras pernambucanas faz cair a ficha de que muito em breve estarei na terra do Rei do Baião realizando um sonho.

Por falar em terras pernambucanas, quem se juntou hoje definitivamente à expedição (após dirigir por mais de 300km) foi a destemida tia Lalá.


Boa semana!