O combustível deste blog é um mix composto por duas grandes paixões em minha vida: viagens de bicicleta e competições em corrida de rua.
Sejam bem vindos!
Como já foi contado aqui em post anterior, alguns dias após a Maratona de 02 de outubro, os bate-papos entre os integrantes do Salvador Pró-Maratona revelavam que vários de nós (principalmente nos 21km de retorno dentro da Meia Maratona Farol a Farol) havíamos sido interpelados com a mesma questão: “Qual seria o percurso da Maratona de Salvador?”
Em princípio eu mesmo respondi que esse não era o ponto mais importante porque os futuros Organizadores saberiam o que fazer quando chegasse a hora. Entretanto, aos poucos fui percebendo que mesmo entre nós muitos gostariam de ter a resposta para essa pergunta e então propus que nos organizássemos para criar um trajeto de 42,2km que realmente tivesse uma vocação para oficial.
Apesar de sabermos que para correr no percurso criado teríamos que nos valer de calçadas, ciclovias, passarela, etc, já que não teremos em nossa Maratona-Protesto trânsito fechado nem batedores (à exceção do nosso querido ciclocinegrafista Rodrigo), ainda assim, na hora de criar o trajeto foram pensadas coisas como:
·Largada e Chegada com grande potencial de concentração / dispersão;
·Trânsito (para ser bloqueado e liberado gradativamente);
·Passagem em pontos turísticos;
·Bons locais para distâncias intermediárias como 21 e principalmente 10 km.
A Maratona de Salvador ficou assim:
Largada no Jardim de Alah sentido Jaguaribe para subir a Av. Pinto de Aguiar; Paralela; Av. Luís Eduardo Magalhães; Av. San Martin; Largo do Tanque; Viaduto dos Motoristas (21,1km); Av. Régis Pacheco; Calçada; Feira de São Joaquim; Av. da França; Mercado Modelo; Av. Contorno; Campo Grande; Corredor da Vitória; Ladeira da Barra; Farol da Barra (32km) seguindo pela orla até o Jardim de Alah.
Claro que não temos a pretensão de havermos pensado e/ou contemplado todas as possibilidades, mas, modéstia à parte, bem que a coisa ficou legal e já tem uma turma babando de vontade de chegar logo o dia 15 para fazermos nossa festa, inclusive prepararemos novas camisetas (que terão cor diferente da última) com a data do evento, mantendo-se, evidentemente a logomarca do Movimento.
O convite está estendido a todos que queiram participar dessa nossa Maratona no próximo dia 15 de novembro (ainda que não seja fazendo os 42,2km). Quem quiser, por exemplo, fazer “apenas” 10km, pode esperar a passagem dos “Salvador Pró-Maratonistas” na Barra. Todos são bem vindos!
Muito em breve divulgaremos a programação dos horários de largada e de passagens em alguns pontos estratégicos do percurso.
O mapa acima foi traçado no Google Earth. Quem tiver este programa e quiser visualizar melhor todo o trajeto pode deixar um comentário aqui ou enviar um e-mail para bikeselva@hotmail.com que enviaremos o arquivo.
Por enquanto quem quiser conferir como foi emocionante a festa do Salvador Pró-Maratona no último dia 02 é só aproveitar para assistir a primeira parte (Barra-Itapoan) no vídeo abaixo. O trabalho de edição do amigo Rodrigo ficou show e pode ser aquele empurrãozinho que faltava para que você entre nesta luta.
Muitas vezes encontramos nestas revistas especializadas planilhas contendo as siglas CT ou XT, que significam cross training, um tipo de descanso ativo em que se mesclam esportes e que é muito divertido e recomendado para manter o condicionamento enquanto se está recuperando de lesão, além de diminuir os riscos de seu aparecimento por overuse.
Os benefícios do XT não se limitam apenas aos que estão cuidando de lesão. A inserção de esportes como natação e ciclismo (considerados de baixo impacto) na planilha de treinamento dos corredores contribui para a preservação dos tendões e cartilagens (que são bastante exigidos na corrida) e também pode ser uma ótima opção para dar uma variada na rotina. Além disso, ganha-se um condicionamento mais global por conta de se estar utilizando diferentes grupos de músculos ou até os mesmos, mas de uma forma/ângulo diferente.
Um corredor que treina ciclismo (e vice-versa), por exemplo, deve praticar a atividade aeróbica diferente sempre num ritmo confortável/moderado. A idéia é usar a nova modalidade para descansar os músculos específicos usados na atividade principal.
Se o desempenho da corrida pode ou não ser melhorado com a prática do ciclismo não é algo que já tenha virado consenso. Há estudos nos dois sentidos.
Vindo do cicloturismo, o que posso dizer (por comparação a não ciclistas) é que passei com grande facilidade pela fase de adaptação, principalmente em se tratando de longas distâncias (17 dias após minha estreia em competições, corri tranquilamente a Meia-Maratona de Maceió para 1:55).
Ainda em defesa da bike (rs) vários amigos ciclistas que arrastei para a corrida, com poucos dias de treino, fizeram suas estreias em prova de 10 km na casa de 40'.
Quer mais uma?
No ano que o Dean Karnazes fez suas 50 maratonas em 50 dias, o Lance Armstrong (hepta-campeão do Tour de France), que havia aposentado a magrela, resolveu correr a Maratona de Nova York e estreou nos 42km com invejáveis 2h59'36. Um ano depois (2007) o cara baixou seu tempo na prova para 2h46’43. Alguma dúvida? rs.
FIM DE SEMANA
Seguindo os planos de recuperação traçados para os 20 dias pós Maratona de Buenos Aires, recheei o final de semana de bike (50km no sábado, 80 no domingo). Desta forma além de pedalar na orla e pela maravilhosa Linha Verde, consegui, somados os dois dias, treinar/brincar por 5 horas sem sentir nenhum dos incômodos que tenho enfrentado nos últimos meses. "Perfeito para o papai", como me diria um certo molequinho lindo que conheço.
Essa parte da planilha está ao alcance de todos. Quem não achar suficiente como treino pode entrar em contato que tenho aqui dois dispositivos ligados em 220, equipados com gigantescas pilhas Duracell (para a ínfima hipótese de falta de energia), que atendem pelos nomes de Luan e Rafael e que poderei ceder durante algumas horas por semana para que completem seus cross trainings.
Uma corridinha despretensiosa pelas ruas do centro da Cidade foi a atração reservada para este dia de regresso ao Brasil. Era o que faltava para coroar estes maravilhosa semana na cidade de Buenos Aires.
Por volta das 07 e 30 da manhã, com uma temperatura que beirava os 14 graus, deixamos o Hotel (titia Lalá e eu) seguindo por um trajeto previamente traçado com o intuito de nos despedirmos da cidade passando por alguns dos seus cartões postais.
Mesmo não sendo um Marcos Pinguim (corredor-fotógrafo) é claro que não poderia perder a oportunidade de fazer alguns registros enquanto corríamos e assim dividir com vocês um pouco mais desta belíssima cidade.
Sabe quando a gente participa de uma prova muito boa e mal terminamos de cruzar a linha de chegada já exclamamos: “Ano que vem quero estar aqui”? A sensação de chegar ao último dia da viagem a B.A. é idêntica. A Capital portenha é daquelas cidades que sempre se quer retornar.
Agora é hora de voltar pra casa. Apesar de tudo: “Ai que saudade eu tenho da Bahia!”.
Uma olhada no resultado oficial da Maratona de Buenos Aires publicado na segunda-feira, onde fizeram constar apenas o tempo bruto 3h 13min e 07 segundos (o que me deixou em 290º de 4538) foi a última coisa que fizemos antes de iniciar nossa caminhada em busca da solução para resolver um problema ocorrido na noite do Sábado. Senta que lá vem estória.
No sábado, após muitas horas de vôo/escalas num avião que partiu de Salvador às 4:50, chegamos (minha namorada e eu) a Buenos Aires. Após gastarmos um tempo enorme com as burocracias de praxe do setor de imigração e outro tanto para recolher nossas malas num confuso sistema de esteiras, somente às 14 horas entramos num táxi que nos levaria ao Hotel onde havíamos planejado deixar as malas, almoçar e descansar um pouco para depois ir buscar o kit, cuja entrega se encerraria às 18:00.
Por meio de um mapa encontrado no saguão do Hotel, com intuito de economizar e também de ir sentindo um pouco mais da cidade, traçamos uma rota em que faríamos um trecho de metrô (onde vimos diversas pessoas fazendo shows ao vivo) e outro caminhando. E tudo saiu muito bem... na ida.
Kit na mão, acrescentando uma passada no supermercado e numa pizzaria, voltamos ao Hotel pelo mesmo caminho e já estava jogado na cama, morto de sono, quando a “titia” Lalá deu fé que havia perdido a carteira com todo dinheiro e documentos que havia trazido.
Havia acordado antes das 03 da manhã, não queria acreditar, torci para que achássemos a carteira derrubada em algum canto, mas não foi assim. Era preciso tentar. Vesti-me novamente e sozinho cobri todos os passos (rua/metrô/pizzaria/supermercado) até a Calle Pueyrredón.
Algumas horas depois retornava ao Hotel sem nenhum sucesso. Além de consolar a “titia” Lalá, antes de dormir começamos a correr atrás de fazer o bloqueio dos cartões de crédito. O restante deixaríamos para ver a partir da segunda-feira.
O primeiro passo foi fazer a denúncia numa Delegacia de Polícia próxima, onde fomos muito bem atendidos, a despeito de ser feriado (Dia da Diversidade Cultural), pelo policial de plantão.
Na terça, com o boletim de ocorrência e uma cópia de RG que felizmente ela tinha em seu e-mail, foi a vez de irmos ao Consulado para conseguir uma AUTORIZAÇÃO DE RETORNO AO BRASIL. Ufa! Tava com medo de ter que deixá-la com os portenhos... rs
Para que não se pense que Buenos Aires resumiu-se a isso, deixarei algumas fotos destes dias por “acá”. Confesso-lhes que o descanso do joelho não começou ainda efetivamente. É muita “paletada” por essas sensacionais ruas do Centro da cidade (Corrientes, Nueve de Julio, Florida, Lavalle, etc...).
03h12m36 até que não é um tempo tão ruim assim para 42,195km, mas com certeza ficou bem aquém do que poderia ser feito numa prova tão perfeita como é a Maratona aqui na capital portenha.
Pela tranquilidade na entrega do kit, que aconteceu em uma feira onde se encontrava, além de uma grande diversidade de produtos, teste de pisada e personalização da camiseta (ambos gratuitos e sem grandes filas), dava para adivinhar quão organizada seria a corrida hoje.
Alguns detalhes que fazem da Maratona de Buenos Aires um sucesso, além da temperatura agradabilíssima (em torno dos 15°), e do percurso plano em quase sua totalidade são:
·Largada cedo (7:30) e setorizada, com currais separando os corredores por ritmo/tempo estimado de prova;
·Hidratação abundante (desde o km 7,5 já ofereciam Gatorade);
·Vários postos de frutas e de esponjas e um com carboidrato em gel.
Por causa da semelhança tanto no clima quanto na organização, muitas vezes me veio à cabeça a Meia Maratona Corpore (que é realizada no mês de abril em São Paulo).
O dia amanheceu perfeito para correr (e manteve-se assim por todo o tempo da prova), entretanto, enquanto seguíamos do Hotel para a largada já comentava com a titia Lalá que, por conta da STIT que venho administrando nos últimos dois meses (e que se agravou nos últimos 15 dias), não nutria grandes esperanças de conseguir um sub-3 e que teria muita sorte se conseguisse o plano B (fazer um RP).
Não era exatamente um "jogar a toalha", mas buscaria correr com cuidado e sentir o que poderia ser feito durante a Maratona. Em voz alta pedi aos céus que me permitissem sonhar um pouco. Queria ao menos começar a correr sem dor (“quem sabe até o km 21?”).
Bem ao pé da letra, tive atendidas minhas preces.
Comecei a correr sem dor (graças a Deus) e no km 5, seguindo o ditado popular “faça por ti que eu te ajudarei” tomei um antiinflamatório.
Ainda sem dor, as passagens dos quilômetros 10 (43:54), 15 (01h06m12) e 20 (01h20m32) injetavam em mim uma esperança de poder chegar ao fim com um novo recorde pessoal. Apenas 1km à frente já cruzava o pórtico da meia maratona tendo que arrastar a perna direita, que mais adiante perderia por completo a capacidade de flexionar-se por conta da inflamação na lateral do joelho.
Sorri com a “coincidência” e ainda tentei negociar com o Todo-Poderoso alguns quilômetros mais sem dor. Não deu certo. “Palavra de Rei não volta atrás”. Era preciso lançar mão do Plano C (chegar vivo rs) e, cerrando os dentes, usei de toda concentração que podia para manter um ritmo próximo aos 4:30/km até o fim.
É uma sensação meio desesperadora. Sentia-me descansado, forte e pronto para acelerar e, com a biomecânica da corrida prejudicada pela tendinite, não podia avançar da forma que me achava capaz.
A culpa toda era minha (aliás, essa história de merecimento é uma das coisas boas desse esporte). Não posso culpar meu querido joelho. Há menos de 1 mês (entre uma inflamação e outra) conseguimos fazer uma excelente meia maratona (com recorde pessoal) e não lhe dei o devido descanso para obter o êxito para o qual me sentia preparado no dia de hoje.
Fica a lição. Poucas vezes em minha vida de corredor estive numa competição para baixar tempo (no caso de Maratona é a primeira) e não consegui o resultado, mas isso acontece (infelizmente até o Marilson do Santos enfrentou esta situação hoje em Chicago). Agora é aproveitar umas semanas de férias e cross training para reequilibrar a "máquina" e voltar mais forte.
Contudo, como ia dizendo no começo, 03h12m36 até que não é um tempo tão ruim para 42,195km (só que eu sinto que poderia ser bem melhor rs) e o que me resta é comemorar minha primeira maratona internacional, agradecer a Deus pela saúde e rezar para que no próximo ano possamos estar aqui novamente.
Mal passava das 2:00 da manhã e o som dos toques dos telefones dos integrantes do Salvador Pró-Maratona já enchia a madrugada. O esquema solidário de carona que foi adotado para que todos chegassem no horário previsto ao Farol da Barra impunha que vários telefonemas fossem dados a fim de certificar-se que todos já estavam a caminho da festa.
Às 3:00 horas da manhã, junto com a Titia Lalá, já estava rodando para pegar os meus caronas (Ângela em Itapoan, Gil em Cajazeiras) e, com o carro lotado de itens de hidratação e faixas, seguimos para o local de concentração.
Às 4:10 estacionávamos o carro, quando vimos um pouco à frente Pataro (que havia levado Eduardo) fazendo o mesmo. Num relance deu para ver que Joel passava lá adiante com sua moto. Bom sinal, tava todo mundo chegando.
Ao chegarmos lá já se encontravam:
Samuel (ainda não foi desta vez que consegui chegar antes dele rs) e seu carona Lucas;
Rodrigo, que estava lá de bike com a dupla função de filmar a primeira perna da Maratona e levar uma gigantesca caixa de isopor atulhada de powerade, maltodextrina e água;
Chico (viera sozinho de Simões Filho).
Através deles ficamos sabendo que, fazia alguns minutinhos, Sandrinha e seu sobrinho Lucas Grisi, com receio de não conseguirem chegar a tempo, já haviam largado.
Faltava chegar um último carro trazendo os integrantes do Salvador Pró-Maratona que restavam: Valdir, Carlinhos, Deja e sua esposa, Sueli, que faria parceria com a “titia” Lalá no ponto de apoio em Piatã.
LARGADA EM ONDAS
Como a Ultra Sandrinha e Lucas Grisi já haviam feito a largada (e de toda forma não teríamos um registro de todos saindo juntos), aproveitei que os atrasadinhos eram da turma dos mais velozes e informei ao pessoal que dividiríamos o restante do grupo em duas largadas, recomendando aos que tivessem interesse em sair imediatamente que logo se apresentassem.
4:30 – Lucas, Samuel, Eduardo, Joel e Ângela (que foi apenas para correr até Itapoan) deram início às suas jornadas.
4:45 – Enquanto titia Lalá e Sueli partiam no carro de apoio com destino a Piatã, eu, Chico, Pataro, Deja, Gil, Valdir e Carlinhos dávamos enfim um até logo ao Farol da Barra, tudo sob as lentes do ciclocinegrafista Rodrigo, que só então começou a descobrir o quão pesada estava a carga que ele levaria.
14 pessoas haviam largado, outras três estavam se movimentando para que nossa festa desse certo, além das muitas outras que estavam conosco em pensamento.
A IDA
momentos da ida
O primeiro destino era Piatã, onde estaria o carro de apoio. Todos saíram recomendados a fazer daquele lugar um novo local de concentração. Distando 2km da largada da Meia Maratona Farol a Farol, a idéia era juntar o máximo de integrantes para, juntos, carregando as faixas, fazermos uma chegada apoteótica em Itapoan.
A largada em ondas tinha sido ocasionada por questões circunstanciais, mas acabou sendo bem interessante. Aos poucos as pessoas foram se encontrando durante o percurso.
No carro, as promaratonetes (Sueli e Laryssa) foram alcançando os que haviam saído na frente e já puderam oferecer algum tipo de apoio.
Na bike, num trabalho de ida e volta constante, Rodrigo conseguia manter contato com todos os grupos e sempre me trazia informações da distância entre eles.
Via telefone pude monitorar como e onde estavam as pessoas e à medida que ia encontrando os que saíram primeiro aproveitava para correr uns kms ao lado.
Mas não pensem que a corrida foi só preocupação. A ida estava sendo maravilhosa, a noite que nos envolvia no momento da largada foi dando lugar a um dia lindo. O sol emergia no mar de mansinho, contrapondo-se às ruidosas manifestações de alegria dos meus companheiros de ritmo e essa mistura causava-me uma gostosa sensação de embriaguez.
À altura do Rio Vermelho estava correndo ao lado de Gil, Pataro e Deja, quando uma velha senhora em trajes sumaríssimos foi para o meio da rua perguntando com voz embargada: “Quem vai ganhar” enquanto fazia uns meneios sensuais com o corpo e abria a boca para exibir a língua. Caímos todos na risada, cada um apontando para o outro como o vencedor.
Durante o trajeto tivemos apoio de várias pessoas que passavam de carro e encontramos vários corredores conhecidos nos pontos de ônibus indo para a largada da Meia em Itapoan, aos quais sempre convidávamos para seguirem com a gente.
Lá na frente, à medida que os primeiros corredores chegavam em Piatã, via telefone era informado pela Titia Lalá. À esta altura eu vinha correndo ao Lado de Eduardo e mandei informar ao pessoal que já estava lá um pouco agoniado que a relargada seria às 6:40, o que era tempo suficiente para não perdermos a saída de Itapoan.
Deu trabalho segurar aquele pessoal em Piatã, mas o plano deu certo: à exceção de Sandrinha e seu sobrinho (que não conseguiram chegar a tempo), às 6:40 saímos e fizemos os últimos dois km juntos, e isso foi, sem dúvida, fundamental para o que muitos consideraram como o ponto alto da nossa Maratona: a chegada em Itapoan.
Chegamos a 10 minutos da largada da Meia Maratona Farol a Farol e enquanto avançávamos carregando nossas faixas todo o povo que ali já se encontrava (muitos haviam passado por nós no trajeto) passou a aplaudir e gritar palavras de apoio. Vivi e vi a emoção em cada companheiro ali presente.
Vídeo da chegada da emocionante chegada em Itapoan
Enquanto pousávamos para as câmeras da TV Aratu e Lucas Andrade gravava uma entrevista que infelizmente não foi ao ar, foi a vez de comemorarmos a chegada da Ultra Sandrinha.
Estava concluída a primeira parte.
A VOLTA
Junto com Samuel, bem tranquilamente, saí carregando a faixa de 02 metros até Piatã onde voltamos a depositá-la no carro. Nesta hora fiquei sabendo que Gil havia optado por seguir em frente com a faixa menor, o que foi bom para divulgar o Salvador Pró-Maratona e a FACULDADE VASCO DA GAMA, patrocinadora das faixas e, coincidentemente (rs), entidade empregadora do amigo Gil.
No retorno o combinado era que todos estariam livres para fazer seus ritmos e os que estivessem mais fortes poderiam pegar as faixas com a titia Lalá e Sueli a 1km da chegada, próximo ao Barra Vento.
Ângela Ferreira e Lucas Grisi ficaram em Itapoan e agora éramos 12 tentando completar os 42,195.
Rodrigo, que havia “assinado contrato” apenas para ir até Itapoan, empolgado, resolveu dar meia volta na bike e fazer o caminho de retorno, boa parte dele ao meu lado.
Na passagem por Piatã (quando da entrega da faixa) parei um pouco para hidratar-me enquanto aproveitava para passar as últimas orientações à titia Lalá.
Como saí de trás, enquanto corria e conversava com Rodrigo paulatinamente ia alcançando os companheiros mais lentos e sentindo como estava cada um deles. Uma das pessoas pelas quais eu me sentia mais responsável era Lucas Andrade, que estava estreando na Maratona e por quem eu torci muito para que vencesse seu desafio particular.
Além dos companheiros que estavam dobrando a Maratona, muitos estavam vestindo a camiseta do evento. Outros me diziam que haviam lido sobre nosso movimento no Jornal do dia anterior. Fiz a corrida do jeito que mais gosto: conversei durante todo o trajeto (rs).
Na minha chegada tive a companhia de Carlinhos, que gentilmente já tinha dado uma força a Joel e agora vinha para ajudar a carregar a faixa.
Poucos minutos depois, ainda carregando a faixa, chegava um cansado Gil. Abusando da sua grande generosidade pedi-lhe que voltasse comigo ao Barra vento para esperarmos os últimos companheiros que faltavam completar a prova: Deja, Samuel e Lucas.
Enquanto recebíamos a medalha descobri com a titia Lalá que Sueli tinha ficado preocupada com Deja (seu marido) e havia saído em busca dele caminhando no sentido contrário. Rapidamente liguei para o celular dela e tentei tranquiliza-la. Dizia-lhe que Deja era uma cara experiente, que havia realmente acusado um cansaço quando eu passei por ele, mas que já vinha bem próximo, quando de repente ouvi a voz chorosa dela do outro lado da linha transformar-se em alegria ao avistar o maridão.
Poucos minutos depois, fazendo aviãozinho, Deja corria em nossa direção para apanhar a faixa e com ela, acompanhado de Gil, fazer sua chegada.
aviaozinho de Deja
Neste momento liguei para Lucas e ele atendeu dizendo que estava chegando; precisara caminhar um pouco, mas estava a 2km. Samuel havia passado por ele e já devia estar chegando.
Quando Samuel chegou já encontrou o ultra cuidadoso Gil de volta com a faixa e disposto a acompanhá-lo até o final.
chegada de Samuel
Restava apenas a chegada de Lucas, em minha opinião um outro ponto alto daquele dia, foi só ele apontar na “reta dos boxes” e uma grande emoção tomou conta de mim. A coisa estava chegando ao fim. Apesar de algumas desistências, estávamos concretizando um sonho, entreguei-lhe a faixa e corri (quase mancando por conta do joelho) ao seu lado até faltar uns 100 metros, quando saí de cena para que ele pudesse viver aquele momento que é tão único para os que completam pela primeira vez uma maratona.
Lucas completando sua primeira maratona
Agora era hora de festejar.
A tenda da J.C.Corb, do carismático Professor Gugu, foi o destino da maioria dos Salvador Pró-Maratonistas. Lá encontramos diversas pessoas que, embora não tivessem corrido os 42,195km, apoiaram e divulgaram sempre o Movimento. Foi outra festa o que pousamos para fotos (rs), uma verdadeira maratona.
Nos meus planos imaginara fazer uma foto especial com os concluintes da Maratona (que acabaram sendo 09: Pataro, Joel, Chico, eu, Gil, Samuel, Deja, Carlinhos e Lucas), mas, além da ausência de Pataro, que já havia fugido por conta do horário do trabalho, a euforia era tanta, cada um indo para um lado, que fui obrigado a abandonar essa idéia.
Na hora de irmos embora houve uma maravilhosa surpresa. Sandrinha presenteou a todos com um lindo troféu, inclusive aos nossos anjos apoiadores: titia Lalá, Sueli e Rodrigo. Após isso, ainda mais felizes, tomamos os caminhos de nossas casas.
Chico, Tia Lala, eu, Joel, Valdir, Deja, Lucas, Samuel, Sandrinha, Sueli, Carlinhos, Gil e Eduardo
SALVADOR PRÓ-MARATONA
O evento não conseguiu o destaque na mídia que esperávamos, entretanto todos os participantes trouxeram estórias de pessoas que externaram entusiasticamente simpatia à nossa causa. Nos últimos dias recebi através deste Blog e do email bikeselva@hotmail.com um enorme número de mensagens (inclusive de outros Estados) apoiando o Movimento.
No local da chegada o Professor Og Robson veio nos parabenizar pessoalmente mencionando a nossa chegada em Itapoan.
A LUTA PRECISA CONTINUAR
Muitas vezes fui perguntado qual seria o percurso da Maratona de Salvador; repetidamente respondi que isso não era o mais importante porque no momento certo os Organizadores saberiam escolher a melhor rota.
Conversando com alguns integrantes esta semana, resolvemos aferir de bicicleta um percurso de 42km com saída e chegada no Jardim de Alah (aceitamos sugestões) que contemple vários pontos turísticos de Salvador e depois fazermos uma brincadeira correndo no trajeto escolhido em meados de novembro. Como em uma Maratona normal poderemos ter corridas secundárias (com distâncias menores: 21 e 10km) e assim trazer para nossas trincheiras gente de vários ritmos e/ou objetivos.
Aguardem mais informações desse nosso próximo passo, bem como o vídeo do dia 02 de outubro, que ainda está sendo editado.
Os primeiros raios solares que começavam a iluminar o dia deste inesquecível domingo encontraram os integrantes do Salvador Pró-Maratona em pleno êxtase enquanto avançavam felizes entre o Farol da Barra e Itapuã.
Para contar e ilustrar essa estória será preciso um pouco mais de tempo. Como uma espécie de aperitivo, abaixo pode ser visto um pequeno vídeo de um dos muitos momentos maravilhosos dessa grande FESTA e, enquanto não vem o prato principal, para passar o tempo, a opção escolhida foi narrar como foi o dia anterior ao evento SALVADOR PRÓ-MARATONA.
completando a primeira perna da maratona
O DIA ANTERIOR
Faltando um dia para uma maratona em que seria preciso acordar por volta das 2:00 horas da manhã, a ordem para o sábado que nasceu com uma cara de chuva era aproveitar para dormir até mais tarde e descansar. Não foi bem o que aconteceu.
Após breves conversas na noite da sexta-feira com alguns vizinhos de condomínio que estão (re)descobrindo os prazeres da atividade física, pude notar que em horários parecidos alguns estariam caminhando/correndo na praça enquanto outros, pedalando.
Recebendo convite das duas turmas e disposto, até como forma de incentivá-los, a estar presente nos dois grupos, instantaneamente a velha e boa logística, como de costume, veio em socorro para solucionar a questão.
A corrida/caminhada em volta da Praça transformou-se numa corrida de ida e volta até o Farol de Itapoan (6km) e o horário de saída foi antecipado para as 5:00 da manhã.
A galera das bikes, que iria sair às 5:40, adiou o início da pedalada de ida e volta à praia de Buraquinho para as 6:00.
"titia" Lalá, "pombo" e Manuela - Farol de Itapoan
Com 50 minutos de corrida já retornávamos ao condomínio, bem a tempo de encontrar o pessoal azeitando suas bikes para o passeio. A tranqüilidade durante o trajeto e a felicidade demonstrada por terem conseguido se superar numa distância nunca antes percorrida na história deste casal, levam-me a crer que tanto Fernando (Pombo) quanto sua esposa Manuela muito em breve serão habitantes deste incrível planeta chamado corrida.
Após um lanche rápido todos nós que havíamos corrido (o casal, a titia Lalá e eu) juntamo-nos aos bikers e por mais 90 minutos desfrutamos de uma bela pedalada de ida e volta até a praia de Buraquinho.
O restante do dia ao lado dos filhotes também não foi o que se pode chamar de descanso, mas até que tivemos alguns momentos mais relax na parte da tarde, quando fomos assistir alguns filmes do 9º FICI (Festival Internacional de Cinema Infantil).
O dia anterior à Maratona não seguiu as tradicionais recomendações. Mas a julgar pelo sucesso do Salvador Pró-Maratona hoje, parece que deu certo. Talvez o amor pelas coisas e pessoas envolvidas nas atividades seja o segredo.
Boa Semana!
PS¹: Após a maratona, quando voltei para ao condomínio, fiquei sabendo que o Fernando não resistiu e saiu para dar uma corridinha hoje de manhã também. Será que o bichinho da corrida já o mordeu?